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Uma série de eventos discute a violência contra o idoso no Rio Grande do Sul

Estado tem 16% de sua população com 60 anos ou mais. (Foto: Reprodução)

Muito se fala no aumento proporcional do segmento demográfico formado pelos indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos. Em todo o Brasil, eles já representam 30 milhões de habitantes, ao passo que no Rio Grande do Sul as pesquisas apontam 1,8 milhões de pessoas com esse perfil, o que representa 16% da população residente no Estado.

Esse aspecto é motivo para uma série de preocupações por parte do poder público. Além da questão do emprego, previdência e outros tópicos, há uma questão que precisa ser discutida: a violência contra o idoso – de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), esse problema não se limita à agressão física, pois abrange o abuso psicológico e até mesmo sexual, bem como a exploração financeira.

“Trata-se de uma epidemia silenciosa e que acontece, na maioria das vezes, dentro da própria casa”, ressalta a psicóloga Joana Veras, da Coordenação Estadual da Saúde do Idoso, da Ses (Secretaria Estadual da Saúde). Para dar visibilidade ao tema, 15 de junho foi instituído como o Dia Mundial de Enfrentamento à Violência contra Idosos, data temática que será motivo de uma série de iniciativas em todo o Estado ao longo do mês.

Programação

– 11 de junho (8h30min): “Seminário Estadual de Enfrentamento a Violência Contra as Pessoas Idosas”
Local: Auditório do Sesc (rua Alberto Bins nº 665, no Centro Histórico de Porto Alegre);

– 12 de junho (8h): “2 Encontro Regional sobre a Política de Saúde do Idoso”
Local: Auditório do Colégio Politécnico da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria);

– 13 de junho (16h): “Fórum Temático Enfrentamento a Violência contra a Pessoa Idosa”
Local: Centro de eventos da Fenadoce, na avenida Pinheiro Machado nº 3.390, em Pelotas;

–14 de junho (8h30min): “Promoção da Saúde e Prevenção da Violência contra o Idoso”
Local: Auditório do Memorial da Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul).

Estatísticas

Dados da Vigilância Epidemiológica da Ses, com base no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) (Sinan) indicam que no ano passado o Rio Grande do Sul registrou 3.021 casos de agressão a idosos, a maioria física (33,8%). Depois aparece a psicológica/moral (18,5%), seguida pela negligência/abandono (17,5%).

Já as lesões auto-provocadas chegaram a 13,5% e a exploração financeira/econômica respondeu por 5,1% das situações. Também houve tortura (1,4%) e abuso sexual (1,3%). No quesito “outros” foram 8,9%. Apesar de algumas variações, há uma tendência de manutenção das notificações ao longo da década de 2010.

Na maioria das ocorrências (28,2%), o agressor foi o próprio filho(a), a própria pessoa (18,5%), o parceiro (10,3%), amigos/conhecidos (6,1%), o cuidador 62 (2,3%) ex-companheiro (2,3%), irmão (2,2%), patrão ou autoridade (1,3%) e mãe/madrasta/pai/padrasto (0,8%). Outros vínculos representaram 13,6% e 6,8% não responderam.

Joana Veras destaca que a notificação é uma etapa extremamente importante para o enfrentamento à violência, pois subsidia o planejamento de ações: “É importante ressaltar que o registro de casos de violência por meio de ficha do Sinan (que pode manter o anonimato do profissional que a realiza) tem caráter epidemiológico e não se iguala a uma denúncia acolhida pelo sistema da segurança pública, que envolve investigação policial”.

O Estatuto do Idoso estabelece que os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra as pessoas idosas devem ser notificados não somente à autoridade sanitária, mas também, obrigatoriamente, à autoridade policial, Ministério Público e às instâncias de controle social (conselhos de direitos municipais, estaduais ou nacional).

(Marcello Campos)

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