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União da Ilha, Salgueiro e Beija-Flor empolgam o público na Sapucaí

Madrinha da Beija-Flor, Claudia Raia foi fantasiada de estrela guia. (Foto: Gabriel Nascimento/ Riotur)

Com um tom crítico, a Beija-Flor encerrou os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial no início desta terça-feira (13). Além empolgar o público nas arquibancadas e frisas do Sambódromo, quando as últimas alas deixavam a passarela a pista foi invadida e uma multidão foi atrás da azul e branco de Nilópolis, da Baixada Fluminense.

A Beija-Flor defendeu o enredo Monstro é aquele que não sabe amar, os filhos abandonados da pátria que os pariu, criado pelo coreógrafo da comissão de frente Marcelo Misailidis, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley. “A crítica é sobre a ambição e a ganância desmedida do ser humano, que levam as pessoas a se perderem de si mesmo. É um enredo auto-reflexivo também, não é só voltado para a questão política ou da ganância econômica. É também auto-reflexivo sobre o processo das corrupções em geral e até sobre as questões ecológicos que precisam ser pensadas”, disse.

Na obra, que agora completa 200 anos, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. Depois de rejeitada pelo criador, ela vaga em busca de companhia. E no desfile, a figura foi usada para um dos momentos de crítica no carro com o título de A Intolerância. Além de trazer a cantora Pabllo Vittar na frente, no meio da alegoria uma cabeça enorme de Frankenstein, se desfazia em fatias onde se lia embaixo palavras como racismo, feminicídio, ódio, discriminação, preconceito e xenofobia.

Em outra parte do desfile, criticando a corrupção, uma ala fez uma encenação de um banquete com homens e mulheres. Os homens estavam de terno preto com um pano branco na cabeça, lembrando o episódio chamado de Farra dos Guardanapos, que ocorreu em setembro de 2009 e foi exposto ao conhecimento público por meio de fotos. Naquele momento Sérgio Cabral, então governador do Rio de Janeiro, e seus assessores participavam de uma comemoração com empresários brasileiros e franceses.

Salgueiro

O público também respondeu bem à passagem do Salgueiro, que homenageou as mulheres guerreiras africanas e em diversas atividades. A comissão de frente da escola emocionou boa parte do público. Os componentes executaram a coreografia do casal Hélio e Beth Bejani, que estão no Salgueiro há 12 anos, e arrancou aplausos, principalmente quando representavam o momento do nascimento de uma criança negra, em uma alusão à fertilidade. Os integrantes saíam de uma alegoria no formato de uma cabaça e após ser dividida em fatias, os componentes apareciam para o público. “Aquilo me arrepiou desde a primeira vez que a gente ensaiou. É nascimento. É vida”, apontou Hélio.

“Tudo que se passava na escola a gente contou na comissão de frente. Emoção. Foi criada para emocionar e se era para o público gritar, a gente fez”, completou.

O primeiro carro, o Eden Africano, todo vermelho, levou para a avenida mulheres grávidas. “Eu sou uma delas. Estou sem palavras, foi muito lindo. Foi uma experiência que vai ficar na minha memória para sempre. Quando meu filho nascer vou contar para ele. Ele já tem história”, disse Pamela Oliveira, de 20 anos, que está com seis meses de gravidez do Anthony.

União da Ilha

O desfile da União da Ilha trouxe de volta para o Grupo Especial a alegria contagiante que a caracterizou em carnavais passados. O último carro, intitulado Ilha prepara a mesa do bar, faz a festa, estava com um time dos melhores chefes de cozinha que trabalham no Brasil. O chefe Claude Troisgros se emocionou de ver a culinária brasileira na avenida. “Foi maravilhoso, deu uma alegria representar a culinária brasileira no carnaval do Rio de Janeiro, que é o melhor do Brasil. É uma honra, estou muito emocionado com isso”.

A chefe Kátia Barbosa disse que passar na avenida deu o mesmo prazer com que preparam os seus pratos, principalmente os de comida brasileira. As alegorias da União da Ilha mostraram diversos aspectos da culinária nacional e suas influências, como as que ocorreram com a dos negros e dos indígenas. Mas teve ainda o momento das sobremesas. Conforme os carros iam passando, chegavam, com eles, os cheiros. No que mostrava o cacau, claro, o aroma de chocolate ficou no ar.

Mas a escola teve um momento especial de muita interação com o público. Foi com a bateria comandada pelo Mestre Ciça, que durante o desfile fez várias paradinhas com mudança nos ritmos e separando os naipes dos instrumentos.

 

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