Domingo, 08 de Dezembro de 2019

Porto Alegre
Porto Alegre
17°
Fair

Brasil A Universidade Federal de Santa Catarina afastou o corregedor responsável pela investigação do reitor que cometeu suicídio

Rodolfo Prado ficará fora do cargo por um prazo de 60 dias. (Foto: Reprodução)

O chefe de gabinete da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Áureo de Moraes, publicou uma portaria determinando o afastamento temporário do corregedor-geral da instituição, Rodolfo Prado, por 60 dias. A decisão foi motivada por denúncia de um docente. De acordo com o documento, três servidores foram destacados para compor a comissão e julgamento do caso.

O afastamento não teria relação direta com a investigação que originou a Operação Ouvidos Moucos, que foi iniciada no âmbito da corregedoria da universidade antes de virar inquérito da PF (Polícia Federal). A denúncia do docente foi um dos últimos despachos do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo no exercício do cargo, no dia 13 de setembro, um dia antes de ser preso na força-tarefa da PF junto com outros seis docentes e servidores da universidade.

A queda de braços entre a reitoria da UFSC e o corregedor foi evidenciada no inquérito da Polícia Federal que narra a insatisfação do corregedor com os pedidos de avocação de processos administrativos da UFSC. O impasse teria motivado o corregedor a procurar a PF sob alegação de que o reitor estava obstruindo as investigações sobre desvios de verba do programa de EaD (Ensino a Distância).

As denúncias apontam que as ilegalidades vinham sendo cometidas desde 2006, o caso ainda está em fase de investigação.

No dia 2 de outubro, depois de passar um dia na prisão e de continuar impedido de acessar o campus da UFSC, Cancelier cometeu suicídio, atirando-se do quinto andar de um shopping da capital Florianópolis. Em um bilhete ele escreveu que sua morte foi decretada no dia em que foi afastado da universidade.

Nota oficial

A Administração Central da UFSC emitiu uma nota no site oficial da universidade, abordando a substituição do Corregedor-Geral. Confira, a seguir, o conteúdo integral do comunicado.

“O Reitor Ubaldo Balthazar decidiu, nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, dispensar da função de Corregedor-Geral o servidor Rodolfo Hickel do Prado, designando para substituí-lo Ronaldo David Viana Barbosa. A decisão levou em conta, principalmente, as recorrentes manifestações públicas em que Hickel se posicionava de maneira contrária à administração da Universidade, a membros da atual gestão e ao próprio professor Ubaldo.

Na última delas, Hickel teria dito que considerava “uma barbaridade que as pessoas do Cancellier continuam na administração da UFSC e nas Fundações onde está todo o esquema”. Além disso também atribuiu ao reitor Cancellier frases que teria ouvido dele que, óbvio, não pode mais se defender.

A decisão do Reitor foi tomada em reunião de colegiado com todos os pró-Reitores e secretários e o procurador-geral da UFSC. Considerando a perda da confiança e a prerrogativa do Reitor em designar os ocupantes de funções gratificadas e cargos de direção (FG e CD) na Administração Central, o Reitor definiu pela troca no comando da Corregedoria.

A mudança já havia sido comunicada à CGU [Controladoria-Geral da União] em Brasília e não houve daquela instância nenhuma manifestação contrária. Para o reitor “toda e qualquer irregularidade deve ter sua investigação adequada. Não podemos é admitir que um agente público, revestido de alguma autoridade, desrespeite a instituição e seus membros e que, ainda assim, pretenda exercer uma função de confiança. A UFSC e as pessoas que a constroem merecem respeito, reconhecimento e tratamento minimamente civilizado.”

Todas de Brasil

Compartilhe esta notícia:

Luciano Huck já foi avisado pela Globo que não terá tratamento privilegiado da emissora caso se candidate a presidente da República e cobra logo uma definição de seu apresentador
Temer culpa o presidente da Venezuela pela chegada em massa de venezuelanos ao Brasil
Deixe seu comentário
Pode te interessar