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Veja alguns dos principais erros do primeiro debate entre os presidenciáveis

Todos os candidatos cometeram erros em suas falas. (Foto: Reprodução)

Durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, apresentado na noite da última quinta-feira pela TV Bandeirantes, os oito participantes cometeram diversos erros e exageros em suas manifestações. Confira, a seguir, um apanhado dos piores momentos das falas dos protagonistas do programa, que foi ao ar na última quinta-feira.

– Alvaro Dias (Podemos): “Gastamos mais em segurança do que todos os países da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico].”

O Brasil gastou R$ 81 bilhões em segurança pública em 2016 (o equivalente a 1,6% do PIB do País). Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No mesmo ano, a média de investimento em segurança dos 34 países membros da OCDE foi de 4,5% do PIB. Apenas Austrália (1,1%), Estados Unidos (1,4%) e Alemanha (1,5%) gastaram menos do que o Brasil. Todos os outros 31 gastaram mais.

– Cabo Daciolo (Patriotas): “O Brasil é o único país onde não existe voto impresso.”

Em 2015, a Idea International (instituto que pesquisa questões sobre democracia e eleição ao redor do mundo) mostrou que 25 países além do Brasil já utilizavam o sistema eletrônico em substituição ao voto impresso, dentre eles, Suíça, Austrália, Canadá, Índia, México e Peru. De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 30 países acompanharam a eleição de 2016 no Brasil, com a intenção de conhecer o sistema utilizado no País.

– Ciro Gomes (PDT): “O Brasil tem 7,3 mil obras paradas.”

Durante o debate, Ciro usou dois dados para falar sobre as obras paradas no Brasil —ambos exagerados. Em um primeiro momento, afirmou que eram 5.507. No terceiro bloco do programa, falou em 7.300 empreendimentos interrompidos. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), em julho de 2018, o País tinha 2.796 obras paradas, 447 delas de saneamento básico.

– Geraldo Alckmin (PSDB): “Vou tributar dividendo.”

Ao falar sobre a necessidade de uma reforma tributária, Alckmin prometeu taxar os lucros de empresas. Mas, em sua primeira fala no debate, o candidato anunciou que suas primeiras medidas, caso eleito, seriam “pelo lado fiscal, sem aumentar impostos”.

– Guilherme Boulos (PSOL): “São 6 milhões de família sem casa.”

A Fundação João Pinheiro (FJP), referência sobre moradia no Brasil, afirma que não elabora “estudos ou estimativas sobre o número de pessoas sem casa”. De acordo com a FJP, os 6,35 milhões a que Boulos se refere dizem respeito ao déficit habitacional no país em 2015. Mas, segundo a metodologia da fundação, déficit habitacional não é sinônimo de “famílias sem casa” —como sugeriu Boulos. Em 2017, estudo da Fundação Getúlio Vargas estimou que o déficit habitacional no Brasil chegaria a 7,7 milhões de domicílios.

Henrique Meirelles (MDB): “O Brasil recebeu menos de 100 mil venezuelanos e a Colômbia recebeu 700 mil.”

Na verdade, segundo dados do governo federal, o Brasil recebeu mais do que 100 mil venezuelanos: foram 127.778 pessoas cruzando a fronteira dos dois países em 2017 e 2018. A Colômbia recebeu, em sua contagem mais recente, 870 mil.

Mais polêmicas

– Jair Bolsonaro (PSL): “No referendo de 2005, o Brasil foi desarmado.”

O referendo de 2005 não “desarmou” o Brasil. O plebiscito realizado naquele ano questionou os eleitores sobre o comércio de armas e munições, e não sobre o porte ou a posse de armas. A maioria da população decidiu que o comércio deveria ser mantido. Tanto o Brasil não foi desarmado que, desde 2004, mais de 800 mil armas foram vendidas legalmente no país, segundo o Exército, e mais de 220 mil novos registros de arma de fogo foram concedidos a cidadãos comuns para defesa pessoal. Atualmente, é possível comprar até seis armas, desde que dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação.

– Marina Silva (Rede): “14% dos estudantes que saem do 9º ano não sabem fazer operações simples de matemática.”

De acordo com um levantamento feito pela ONG Todos Pela Educação, a partir da Prova Brasil de 2015, na verdade, 14% é o total dos alunos do 9º ano que sabem fazer operações matemáticas – exatamente o contrário do afirmado por Marina. Dos 2.097.630 alunos, apenas 291.218 demonstraram o aprendizado adequado. Segundo a ONG, estão nesse percentual os que conseguiram tirar, no mínimo, 300 na disciplina.

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