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A Venezuela, que há cinco anos era o oitavo maior comprador brasileiro no mundo, hoje não está nem entre os 50

O ministro da Indústria, Marcos Pereira, acredita em recuperação. (Foto: Washington Costa/MDIC)

A Venezuela transformou-se no menor mercado para o Brasil dentre os países da América do Sul. Imerso numa profunda crise econômica, o país cortou drasticamente a importação de produtos e o Brasil foi um dos mais afetados.

Trata-se agora de um destino menos relevante que Equador e Bolívia, países com população mais diminuta e que nunca chegaram perto do volume de encomendas já feito pela Venezuela, que, mesmo após quatro anos seguidos de recessão, é o terceiro maior PIB da região – atrás só de Brasil e Argentina.

No auge, em 2012, o mercado venezuelano chegou a absorver US$ 1,9 bilhão em bens brasileiros – levando em consideração o período de janeiro a maio.

Era o segundo maior destino na região e o oitavo no mundo – hoje não está nem entre os 50 primeiros.

O resultado amargo das vendas para o país de Nicolás Maduro em 2017 contrasta com o desempenho da exportação brasileira neste ano.

Os embarques para Venezuela caíram 57% de janeiro a maio em relação ao mesmo período de 2016. No total, as vendas do Brasil para o mundo subiram 20%.

A debacle do comércio bilateral com a Venezuela não ocorreu de uma hora para outra. Este é o quinto ano consecutivo de queda nos embarques. Na comparação com 2012, o declínio é de 91%.

Reclamações de atraso nos pagamentos de exportações por empresários brasileiros ocorriam já há muitos anos e foram se intensificando à medida que a crise se acirrou. Aos poucos, empresas começaram simplesmente a desistir de vender para a Venezuela.

Produtos como gado, carne bovina e milho deixaram de ser enviados. Agora, encabeçam a lista de exportações bens como carne de galinha e leite integral, mas em volumes bem menores.

Segundo Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV, os brasileiros foram um dos últimos a sentir os efeitos do colapso.

“Até o impeachment de Dilma Rousseff, o país era visto com bons olhos, como amigo. As empresas brasileiras nunca sofreram privatizações arbitrárias, por exemplo.”

Stuenkel, que acompanha a crise venezuelana de perto, diz que é quase inviável para uma empresa manter exportações ao país hoje sem ter acesso privilegiado ao alto escalão do governo Maduro.

A insegurança fez com que muitas companhias passassem a condicionar as vendas ao pagamento à vista, diz.

Para o ministro da Indústria, Marcos Pereira, o potencial venezuelano é grande e, tão logo haja sinais de retomada no país, as exportações devem se recuperar.

“Superadas as questões internas, as empresas brasileiras, certamente, terão interesse em retomar as exportações para lá”, afirma.

Essa mudança de ventos, porém, ainda deve demorar. As crises política e econômica são de difícil solução e tendem a se arrastar. A estimativa do FMI é que haja retração de 7,4% no PIB venezuelano neste ano e prevê que a economia do país vai continuar a encolher ao menos até 2022.

Além disso, a declarada animosidade entre os governos de Michel Temer e de Maduro cria mais barreiras na negociação de contratos e do pagamento de atrasados. Durante a administração petista, que apoiava o chavismo, o governo atuou em diversas ocasiões para que Caracas liberasse recursos. (Folhapress)

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