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A Volkswagen negocia para indenizar as vítimas da época do regime militar no Brasil

Especialista pesquisa história da montadora. (Foto: Reprodução)

O grupo alemão Volkswagen, através de sua filial brasileira, está em negociações para indenizar as vítimas da ditadura militar no Brasil, mas ainda não há uma decisão sobre a quantia, segundo disse à Agência Efe um porta-voz da montadora na Alemanha.

“A Volkswagen reconhece sua responsabilidade moral pelas injustiças ocorridas durante a ditadura militar no Brasil. A Volkswagen do Brasil negocia de forma construtiva com vítimas da ditadura e com o Ministério Público brasileiro”, acrescentou o porta-voz.

“Nas negociações com as autoridades se trata também uma compensação financeira, mas sobre a quantia de possíveis pagamentos não há ainda nenhuma decisão.”

Um investigador independente averiguou a responsabilidade do grupo alemão durante a ditadura no Brasil e os resultados de seu trabalho serão apresentados em meados de dezembro no Brasil com representantes de alta categoria do grupo Volkswagen.

No final de fevereiro de 2015 a Comissão da Verdade, que aborda os crimes contra os direitos humanos durante a última ditadura do Brasil, começou a investigar a Volkswagen e outras empresas por seus nexos com os repressores.

Vários ex-funcionários da Volkswagen denunciaram ter sido espionados por seus superiores da empresa alemã por ordem dos militares que governavam o País.

Meios de comunicação alemães informaram este ano da suposta colaboração da Volkswagen do Brasil com a ditadura militar no País e também da investigação na procuradoria.

Investigação

Em novembro de 2016 a empresa anunciou a contratação do professor Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, para pesquisar denúncias de que a montadora alemã colaborou com o governo militar brasileiro, que comandou o País de 1964 a 1985.

Especialista em história empresarial, ele foi contratado em meio a uma polêmica – antes de anunciá-lo, a Volkswagen afastou o historiador responsável por investigar seu passado, inclusive no caso brasileiro.

Em entrevista divulgada na época, Kopper afirmou que teria total independência para investigar as denúncias contra a empresa que foram citadas no relatório final da Comissão Nacional da Verdade do Brasil.

“É importante checar novamente as críticas da comissão à Volkswagen, pois não se trata somente dos casos de repressão política que se tornaram públicos, mas também se a empresa, de forma geral, lucrou com a ditadura. Irei além do que os historiadores já pesquisaram sobre o tema”, destacou.

O relatório revelou torturas cometidas em uma das fábricas da Volkswagen no Brasil e também indicou que várias empresas repassavam informações e denunciavam funcionários ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social).

Após as revelações da comissão, um grupo de ex-funcionários entrou com uma ação judicial contra a montadora no ano passado, sob a acusação de terem sido presos e torturados em uma fábrica no Brasil.

Não foi a primeira vez que a Volkswagen precisa reviver seu passado – a empresa já havia investigado seu próprio papel no uso do trabalho escravo na Alemanha nazista durante a 2ª Guerra Mundial.

A montadora foi criada em 1937 pela Deutsche Arbeitsfront – a organização sindical nazista. Durante a guerra, fez veículos para o exército alemão usando mais de 15 mil trabalhadores escravos, que estavam presos em campos de concentração próximos.

Em 1998, os sobreviventes processaram a Volkswagen, que criou um fundo de restituição.

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