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A Fifa cria um fundo de 69 milhões de reais para ajudar jogadores

Ex-presidente da Conmebol disse que a Fifa criou a falsa esperança de que o torneio, previsto para estrear em 2021 na China, renderia bilhões de dólares. (Foto: Fifa/Divulgação)

A Fifa anunciou nesta terça-feira (11) que reservou 16 milhões de dólares (aproximadamente 69 milhões de reais) para ajudar jogadores que não foram pagos pelos seus clubes. O financiamento cobre o período até 2022, e a entidade também quer criar um comitê de monitoramento com o sindicato mundial dos atletas, o FIFPro, para avaliar as necessidades dos jogadores.

O fundo oferecerá uma “rede de segurança” para os atletas, disse a Fifa em um comunicado. O presidente da entidade, Gianni Infantino, destacou que o órgão governamental queria mostrar seu “compromisso em ajudar os jogadores em uma situação difícil”.

“Estamos aqui para chegar aos necessitados, especialmente na comunidade do futebol, e isso começa com os jogadores, que são as principais figuras do nosso jogo”, acrescentou Infantino.

A Fifa orçou 3 milhões de dólares (13 milhões de reais) para o segundo semestre deste ano e 4 milhões de dólares (17 milhões de reais) para 2021 e 2022, cada. Há também 5 milhões de dólares (22 milhões de reais) disponíveis para casos de salários não pagos de julho de 2015 a junho de 2020.

“Mais de 50 clubes em 20 países fecharam nos últimos cinco anos, mergulhando centenas de jogadores de futebol em incertezas e dificuldades”, disse o presidente do FIFPro, Philippe Piat. “Este fundo fornecerá um apoio valioso para aqueles jogadores e famílias mais necessitados. Muitos desses clubes fecharam para evitar pagar salários pendentes, imediatamente se transformando nos chamados novos clubes”.

Ofensiva contra a Fifa

Uma disputa pelo futuro do futebol de clubes gerou uma união entre Conmebol e UEFA contra atitudes da Fifa. Há uma encontro marcado para esta quarta-feira entre dirigentes das duas entidades continentais para discutir a postura da cúpula da federação internacional de negociar competições diretamente com os clubes. O resultado é imprevisível: há a possibilidade de as suas confederações articularem novos campeonatos como o Mundial Interclubes para afrontar a organização mundial.

O imbróglio começou quando o presidente da Fifa, Gianni Infantino, abrigou na sede da organização uma reunião da nova associação mundial de clubes, no final do ano passado. A iniciativa de criar o grupo foi liderada pelo presidente do Real Madrid, Florentino Perez, mas a decisão da federação internacional de receber o encontro foi vista como um aval.

Isso deixou bastante irritada a Conmebol, excluída das conversas, que tiveram participações de Boca Juniors e River Plate. Posteriormente, no Mundial de Clubes, a Fifa também conversou informalmente com o Flamengo sobre uma possível inclusão, que ainda não aconteceu. Fato é: as negociações ocorreram sem a intermediação da entidade continental que se sentiu traída.

O objetivo da Fifa ao se aproximar diretamente dos clubes é incluí-los no seu projeto do super mundial de clubes de 2021: garantir que participem e colaborem com a competição. Ao mesmo tempo, tenta abafar as tentativas dos grandes europeus de fazer um grande campeonato por conta própria.

E aí justamente o Mundial de clubes é o ponto que causa discórdia da UEFA com a Fifa. A entidade europeia, que tem batido de frente com a ideia da associação de clubes, vê o Mundial como um concorrente da Liga dos Campeões, e mais ainda uma possível super liga organizada pelos clubes.

Neste cenário, a Conmebol e a UEFA têm uma disputa com a Fifa em relação aos critérios de classificação para o novo Mundial de Clubes. A Fifa, que diz ter a palavra final sobre o assunto, só quer times classificados pela Liga dos Campeões e pela Libertadores, maior torneio continental. Já as duas confederações continentais pretendem incluir classificados pelas suas competições de segunda linha, Sul-Americana e Liga Europa.

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