Sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 28 de novembro de 2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nessa sexta-feira (28) que vai “pausar permanentemente” a migração de todos os “países do Terceiro Mundo”, após a morte de uma integrante da Guarda Nacional em um ataque próximo à Casa Branca.
À agência de notícias Reuters, o Departamento de Segurança Interna se referiu a uma lista de nacionalidades que Trump havia banido ou dificultado a entrada nos EUA e que não inclui o Brasil, quando perguntado a quais nações o presidente americano se referia.
Entre esses países estão Afeganistão, nacionalidade do autor do atentado em Washington, além de Cuba, Venezuela e Haiti, entre outros da África, da Ásia e do Oriente Médio.
A declaração de Trump sinaliza uma intensificação de medidas anti-imigração desde o ataque de quarta (26) que, segundo investigadores, foi feito por um cidadão do Afeganistão que trabalhou para a agência de inteligência americana em seu país e que imigrou aos EUA em 2021.
Trump não identificou nenhum país nem explicou o que quis dizer com países do Terceiro Mundo. O presidente disse ainda que o plano incluiria casos aprovados durante a gestão do ex-presidente democrata Joe Biden.
“Vou pausar permanentemente a migração de todos os países do Terceiro Mundo para permitir que o sistema dos EUA se recupere totalmente; para encerrar todas as milhões de admissões ilegais de Biden, incluindo aquelas assinadas pela caneta automática do sonolento Joe Biden; e para remover qualquer pessoa que não seja um ativo líquido para os Estados Unidos”, escreveu ele na rede Truth Social.
Trump disse que acabaria com todos os benefícios federais e subsídios para “não cidadãos (americanos)”, acrescentando que iria “desnaturalizar migrantes que minam a tranquilidade doméstica” e deportar qualquer estrangeiro considerado um encargo público, um risco à segurança ou “não compatível com a civilização ocidental”.
Procurados pela agência Reuters, a Casa Branca e o serviço de imigração dos EUA não tinham se manifestado.
Trump fez a publicação na rede social após o anúncio da morte, na quinta-feira (27), de Sarah Beckstrom, 20, que foi baleada no ataque. O colega dela da Guarda Nacional Andrew Wolfe, 24, ficou ferido.
Anteriormente, funcionários do Departamento de Segurança Interna disseram que Trump ordenou uma revisão ampla dos casos de asilo aprovados durante a gestão Biden e dos green cards emitidos para cidadãos de 19 países.
Apesar da retórica, o atirador, identificado por autoridades como Rahmanullah Lakanwal, 29, recebeu asilo este ano, já no governo Trump, de acordo com documentos obtidos pela Reuters.
Ele entrou nos EUA com o apoio de um programa de reassentamento estabelecido por Biden após a retirada militar dos EUA do Afeganistão, em agosto de 2021, que levou ao rápido colapso do governo afegão e à retomada do país pelo Talibã.
O serviço de imigração do país interrompeu por tempo indeterminado na quarta (26), logo após o ataque, o processamento de todos os pedidos de imigração relacionados a cidadãos afegãos.
Trump afirmou que as medidas de sua gestão têm o objetivo de reduzir de forma significativa “populações ilegais e perturbadoras”, sugerindo que mais ações serão implementadas para alcançar esse resultado.
“Apenas a MIGRAÇÃO REVERSA pode curar completamente esta situação”, afirmou ele, ecoando palavras-chave da ultradireita global contrária a imigração.
Ainda que Lakanwal estivesse de forma legal no país, o ataque desta semana dá munição para a agenda de imigração de Trump —reprimir tanto a imigração legal quanto a ilegal tem sido um dos focos de seu retorno à Casa Branca. O caso dá a ele a oportunidade de ampliar o debate para além da legalidade, incluindo uma verificação mais rigorosa dos imigrantes.
Trump tem enviado agentes de imigração para as principais cidades dos EUA com a meta de alcançar níveis recordes de deportações, incluindo residentes de longa data no país e indivíduos sem antecedentes criminais.
Mais de dois terços das cerca de 53 mil pessoas presas pelo ICE e detidas até 15 de novembro não tinham condenações criminais, de acordo com estatísticas do serviço migratório. As informações são da agência de notícias Reuters.