Sábado, 29 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 29 de novembro de 2025
O senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, afirmou que vai trabalhar para criar no Senado um ambiente favorável para o indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O advogado-geral da União enfrenta insatisfação entre parte dos senadores pela recusa de Lula em acolher a indicação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União BrasilAP), para a vaga aberta na Corte com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Alcolumbre trabalhava pela escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A indicação de Lula abriu uma crise com o presidente do Senado, que marcou para o dia 10 de dezembro a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. O prazo é considerado curto pelo governo, que precisa reverter as resistências entre os senadores.
Pressionado pelo tempo, Messias iniciou o corpo a corpo no Senado e se reuniu com Weverton. Antes do encontro em seu gabinete, o senador disse ao jornal O Globo, em tom de brincadeira, que haviam jogado “uma granada sem pino” no colo dele. Depois do encontro, que durou cerca de uma hora e meia, ele afirmou ter se referido à dificuldade da tarefa.
“Quando eu disse que jogaram uma granada sem pino (no meu colo), eu percebi que há um movimento forte… que não vai ser fácil. As últimas indicações não foram fáceis. Se pegarem (de exemplo, os ministros do STF) André Mendonça e Flávio Dino, eles passaram com poucos votos de diferença. O PGR, a mesma coisa”, declarou Weverton, se referindo à recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também depende de aprovação no Senado.
“Agora vou atrás do pino para não deixar essa granada explodir”, disse Weverton em seguida. O pedetista voltou de uma viagem a Roma e disse que precisa se “inteirar” da situação, conversar com Alcolumbre e, depois, procurar os demais líderes do Senado.
Weverton afirmou ter ficado “honrado” com a missão de relatar a indicação, mas que ela é difícil “até pelo clima”. Alcolumbre não atendeu nem respondeu às ligações de Messias desde que foi indicado por Lula – num gesto que foi considerado uma indelicadeza e, ao mesmo tempo, um sinal de que o senador vai trabalhar para dificultar a vida do AGU.
Calendário eleitoral
“Estamos num ano que está praticamente em calendário eleitoral. Com isso, acaba repercutindo em muitos movimentos. Cada momento aqui do Congresso tem que ser devidamente respeitado. Vou entender como está o ambiente da Casa e vamos trabalhar, preparar meu relatório e levar para a comissão, conversar com meus colegas”, disse Weverton.
Na quarta-feira (26), quando começou o périplo por gabinetes do Senado para conversar com os responsáveis por sua eventual aprovação, Messias disse a jornalistas que esperava ser atendido por Alcolumbre em algum momento, e que trabalhava para isso.
O advogado-geral da União precisa reunir 41 votos favoráveis entre os 81 senadores para ser aprovado pela Casa. A votação na CCJ não impede a análise do plenário.
Levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo em consulta aos 27 membros da CCJ mostra que Messias não começa com vantagem na disputa. O placar até a última terça-feira contabilizava seis votos contrários ao ministro no Supremo, cinco favoráveis e quatro indecisos. Outros dois senadores não quiseram responder e dez não deram retorno às solicitações da reportagem. O placar será atualizado sempre que novas respostas surgirem.
Formalização
O que intriga senadores é que Lula ainda não formalizou em mensagem a indicação de seu AGU, o que pode atrasar a sabatina – e favorecer a missão de Messias. A ala governista diz acreditar que, sem essa formalidade, a sabatina não pode ocorrer. Para uma ala mais próxima a Alcolumbre, no entanto, a oficialização da indicação, assinada por Lula e publicada no Diário Oficial da União (DOU), já garante a realização da sabatina.
“Eu não sabia disso (da não formalização). Até onde eu sei, o DOU já é um comunicado. Regimentalmente, não tem mensagem para correr prazo. É, na verdade, pro forma. Não acho que o governo esteja tratando isso como estratégia, porque, se fosse, não devia nem publicar no DOU. Deveria, primeiro, organizar tudo e depois publicar”, observou Weverton.