Sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 28 de novembro de 2025
A Diretoria de Vigilância em Saúde da prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta semana o primeiro boletim epidemiológico dedicado à saúde do homem, com dados referentes ao período de 2015 a 2024 na capital gaúcha. O estudo reúne informações populacionais, demográficas, de cobertura vacinal e de agravos que impactam diretamente a população masculina. Os dados mostram que há mais homens do que mulheres na infância e adolescência (0 a 19 anos). A partir dos 20 anos, porém, essa relação se inverte progressivamente e se acentua após os 50 anos, quando a presença feminina torna-se significativamente maior em Porto Alegre.
O boletim aponta ainda uma expressiva redução nos nascimentos masculinos: em 2024 foram registrados 6.571 nascidos vivos do sexo masculino, queda de 35% em relação a 2015, ano com 10.128 bebês do sexo masculino. Já em relação à mortalidade, a situação se inverte. Em todas as faixas etárias, os homens apresentam taxas de mortalidade mais elevadas, com aumento significativo nos anos da pandemia de Covid-19. No período analisado, o município registrou 62.336 óbitos masculinos. As principais causas foram neoplasias (13.625), doenças do aparelho circulatório (13.040) e causas externas, como acidentes e violências (7.639).
Entre os cânceres, destacam-se os de pulmão e de próstata. As doenças do aparelho circulatório também têm grande impacto na mortalidade masculina, muitas vezes associadas a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e excesso de peso. “Os dados apresentados no boletim indicam que atuação preventiva e diagnósticos precoces são essenciais para garantir melhor condição de vida para os homens em toda a sua história de vida”, enfatiza a diretora de vigilância em Saúde, Aline Medeiros.
Causas externas
As causas externas foram especialmente relevantes entre homens jovens. Entre 2015 e 2024, as agressões lideraram o ranking, com 4.109 mortes. Na sequência aparecem quedas (949) e lesões autoprovocadas (892), ambas com aumento após 2020. Os acidentes de transporte somaram 853 óbitos e apresentaram tendência de redução ao longo da série histórica.
A mortalidade por causas externas é mais alta entre homens de 20 a 29 anos, seguida pelas faixas de 30 a 39 e de 15 a 19 anos, diminuindo nas idades mais avançadas. O boletim também evidencia desigualdades raciais: homens pretos tiveram taxas de mortalidade por agressão mais que o dobro das registradas entre homens brancos, com picos em 2016 e 2017.
Novembro Azul
A publicação também traz informações sobre câncer de próstata, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce no mês dedicado à saúde do homem. O boletim é uma produção conjunta da Unidade de Vigilância Epidemiológica e da Área Técnica de Saúde do Homem da Secretaria Municipal de Saúde.