Sábado, 12 de Junho de 2021

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Porto Alegre Câmara Municipal de Porto Alegre cria Frente Parlamentar sobre tratamento precoce contra Covid-19

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Presidida pela vereadora Mônica Leal (esquerda, acima), Frente teve participação dos médicos Luciana Cruz e Ricardo Zimmerman.

Foto: Martha Izabel/CMPA
Presidida pela vereadora Mônica Leal (esquerda, acima), Frente teve participação dos médicos Luciana Cruz e Ricardo Zimmerman. (Foto: Martha Izabel/CMPA)

A Câmara Municipal de Porto Alegre instalou nesta sexta-feira (7) a Frente Parlamentar sobre os Possíveis Benefícios do Tratamento Precoce no Combate à Pandemia de Coronavírus.

Segundo a Câmara, o objetivo é  “debater e esclarecer sobre a eficiência ou não do chamado tratamento precoce ou imediato como possibilidade de auxílio na cura da Covid-19”. A proposta é da vereadora Mônica Leal (PP), presidente da Frente Parlamentar.

Em encontro remoto, a vereadora destacou que “há duas correntes de pensamento, creio que o debate é válido e necessário, por isso propus essa Frente Parlamentar, para esclarecer mais a sociedade”. E explicou que, neste primeiro momento, foram convidados médicos favoráveis ao tratamento precoce, e que, posteriormente, participarão profissionais da medicina com outro posicionamento, e que o debate também será aberto aos políticos, para manifestações sobre o que foi apresentado.

Participações

O secretário Municipal da Saúde, Mauro Sparta, disse que é importante discutir o tema, que é polêmico, mas necessário. E que “a observação clínica é um dos passos que a ciência tem para aprofundar as suas questões”, afirmou. Sparta disse que o governo federal disponibilizou gratuitamente a hidroxicloroquina para ser distribuída no Estado, a fim de auxiliar no tratamento precoce da Covid-19, mas que foi proibida pela Justiça. A vice-presidente da Frente Parlamentar, vereadora Lourdes Sprenger (MDB), cumprimentou pela iniciativa que propõe debater prós e contras, “para que se ouça as duas partes, é assim que se forma o consenso”, ratificou.

Médicos foram convidados

A anestesiologista Luciana Cruz disse que faz parte de um grupo de médicos favoráveis ao tratamento com a medicação considerada precoce e que o paciente diagnosticado com a Covid-19 deve ter acompanhamento diário até que esteja fora de perigo. “Como se o kit-Covid resolvesse, e não é nada disso. Temos mudado o termo, para melhor entendimento, para acolhimento precoce, por duas, três semanas, até o paciente ficar bom.” Citou as cidades de Porto Feliz e Porto Seguro em que os casos de coronavírus foram tratados precocemente, com resultados satisfatórios em relação a outras localidades que não optaram por esta estratégia. Disse que “os colegas deveriam se juntar aos grupos que defendem o tratamento precoce, para troca de informações, entender como tratar, e sensibilizar também os familiares”.

O infectologista Ricardo Zimmermamm falou que as evidências durante a pandemia “são esmagadoras a favor do tratamento com fármacos”,  dizendo ainda “que foram ridicularizados por colegas que não produziram ciência, mas se valem da argumentação por autoridade”. Ele argumentou que há estudos que apontam para o tratamento da Covid-19, com plausibilidade na biologia. Segundo o médico, quem se infectou deve ficar em casa, fazer o teste PCR e não se automedicar, mas discutir com o profissional da saúde sobre o tratamento mais adequado para cada caso. Zimmermam defende a autonomia dos médicos para prescreverem os remédios que entenderem ser os mais adequados, sem a pressão da mídia e de instituições. “A grande questão não é sobre medicação “A” ou “B”, mas sobre como tratar e qual estratégia adotar para combater a pandemia e salvar vidas”, concluiu.

A próxima reunião da Frente Parlamentar será no dia 14 de maio.

AMB é contrária a medicamentos sem eficácia

A AMB (Associação Médica Brasileira) divulgou um boletim em março em que condena, entre outros pontos, o uso de remédios sem eficácia contra a Covid-19. O posicionamento é oposto a um anterior, de julho do ano passado, quando a entidade defendeu a “autonomia do médico” ao receitar os medicamentos.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da Covid-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, diz o novo texto da AMB.

Entidade mundiais de saúde condenam uso de irvemectina

A OMS (Organização Mundial de Saúde) e a Opas (Organização Pan-americana de Saúde) não recomendam o uso de ivermectina para propósitos diferentes daqueles para os quais seu uso está autorizado. A FDA, órgão de vigilância sanitária dos Estados Unidos, esclarece ainda que a ivermectina não foi aprovada para prevenção e tratamento da Covid-19 nos Estados Unidos e que as pessoas “não devem tomar qualquer remédio contra a doença a não ser que tenha sido prescrito por um médico e adquirido por fonte legítima”.

No dia 31 de março deste ano, a OMS divulgou uma nota desaconselhando o uso da ivermectina por pacientes com Covid-19. A entidade reforçou que as evidências sobre o uso do medicamento no tratamento da doença são “inconclusivas” e que o remédio só deve ser usado dentro de estudos clínicos.

Ministério da Saúde tira informações do ar

O Ministério da Saúde tirou da página oficial nesta sexta-feira (7) orientações sobre uso da cloroquina no tratamento da Covid-19.

O documento apagado tinha indicações de tratamento precoce da Covid, entre elas, o uso da cloroquina, que, comprovadamente, não é eficaz no combate à doença. A nota é de agosto de 2020, da gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

A revelação foi feita pela revista Piauí. A assessoria do ministério esclareceu que a orientação foi retirada porque está sob análise e vai ser atualizada.

A nota não foi oficialmente revogada.

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