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Depois de ser absolvido no Senado, Donald Trump ataca seus adversários

Com um sorriso no rosto, Donald Trump ergueu uma edição do jornal USA Today com um grande "Absolvido" na capa. (Foto: Reprodução)

Diante de dezenas de legisladores republicanos, membros de sua equipe jurídica, sua esposa Melania, sua filha Ivanka e outros parentes, o presidente republicano agradeceu o apoio durante o “calvário” que ele disse ter vivido e criticou duramente seus opositores políticos, que protagonizaram terceiro julgamento político na história dos Estados Unidos.

Eles são “vis”, “perversos”, “corruptos”, “doentes”, “mentirosos”, “um desastre”, disse ele, atacando, entre outros, a presidente da Câmara dos Deputados e líder democrata no Congresso, Nancy Pelosi, a quem ele chamou “uma pessoa horrível”.

As palavras do 45º presidente dos Estados Unidos foram aguardadas com entusiasmo após um procedimento no Congresso que destacou a profunda polarização do país meses antes das eleições presidenciais de novembro, nas quais Trump tentará renovar seu mandato por mais quatro anos.

“Isso realmente não é uma coletiva de imprensa, não é um discurso. É uma celebração”, disse Trump, horas depois de ser inocentado no Senado.

O presidente foi acusado de usar seu cargo para o próprio benefício político, pressionando a Ucrânia a investigar aquele que poderia ser seu rival nas eleições, além de tentar bloquear as investigações sobre o assunto assim que o escândalo estourou.

Em uma votação formal na quarta-feira, acompanhada ao vivo na televisão por dezenas de milhões de americanos, o Senado de maioria republicana votou pelo placar de 52 contra 48 para absolver Trump de abuso de poder e 53 contra 47 para libertá-lo da acusação de obstrução do Congresso. As duas acusações contra ele foram aprovadas em 18 de dezembro pela Câmara dos Deputados, controlada pelos democratas.

“Passamos por um calvário injustamente. Eu não fiz nada errado – fiz coisas erradas na minha vida, admito… Não de propósito, mas fiz coisas erradas – este é o resultado final!”, disse Trump, balançando triunfantemente a capa do Washington Post com a manchete “Trump absolvido”.

Trump já havia se mostrado vitorioso mais cedo, em sua primeira aparição pública após o veredicto do Senado: o tradicional café da manhã de oração nacional, transmitido pela televisão e que desde 1953 reúne a classe política de Washington em toda primeira quinta-feira de fevereiro.

O tema deste ano foi “Ame seu inimigo”. Mas Trump, que entrou com um sorriso largo e ergueu uma edição do jornal USA Today com um grande “Absolvido” na capa, aproveitou a presença de legisladores dos dois os partidos para atacar os democratas com virulência.

“Em vez de quererem apaziguar nosso país, eles querem destruir nosso país”, disse antes de elogiar “a sabedoria, o rigor moral e a força” dos senadores republicanos que o apoiaram.

Mais tarde na Casa Branca, foi a vez de Trump criticar veementemente Mitt Romney, o único republicano que votou a favor do impeachment. “Não gosto de pessoas que usam suas crenças como justificativa para fazer algo que sabem estar errado”, disse, depois que o senador anunciou na quarta-feira que votaria seguindo sua “consciência” e sua “fé mórmon”.

“Também não gosto de pessoas que dizem ‘eu rezo por você’ quando sabem que não é o caso”, afirmou, referindo-se a Pelosi, a uma curta distância dele, que disse algumas vezes que reza pelo presidente. “Pode ser que você reze, mas não por mim”, disse Trump mais tarde na Casa Branca.

Nesta semana, Trump e Pelosi protagonizaram atos que falam muito sobre a divisão política no país. Ao chegar ao Capitólio na terça-feira para seu discurso anual sobre o Estado da Nação, o presidente se recusou a cumprimentar a líder da Câmara dos Deputados.

Ao final da exposição, a veterana política, que estava atrás do presidente, rasgou sua cópia do discurso em pedaços.

“O presidente será acusado para sempre”, declarou Pelosi na quarta-feira, depois que a Casa Branca afirmou que Trump obteve uma “absolvição total”. “Não pode haver absolvição sem julgamento, e não há julgamento sem testemunhas, documentos e provas”, disse ela, referindo-se à recusa dos republicanos no Senado em permitir novos testemunhos e informações que poderiam ter apoiado a acusação.

Para o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, o processo prejudicará os democratas nas eleições. “No momento, isso é um fracasso político para eles”, afirmou. “Eles pensaram que era uma ótima ideia. Mas, pelo menos no curto prazo, foi um grande erro político”.

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