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Lula terá de pedir votos pessoalmente se quiser aprovar Jorge Messias ao Supremo, avisam líderes

Para ganhar tempo de articulação, o governo ainda não enviou ao Senado mensagem presidencial que oficializa a indicação do advogado-geral. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ficará isolado em uma “tarefa hercúlea”: conseguir virar votos para aprovar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é de lideranças de partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que disseram à Coluna do jornal O Estado de S.Paulo, sob reserva, que não vão “mover uma palha” para ajudar o advogado-geral da União.

Diante do impasse, esses mesmos aliados avisam que o próprio presidente Lula precisará entrar nas negociações se quiser aprovar seu indicado ao Supremo. A relação de Lula com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), está estremecida. Messias enfrenta resistências após Lula ter preterido o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga na Corte.

Para ganhar tempo de articulação, o governo Lula ainda não enviou ao Senado mensagem presidencial que oficializa a indicação do advogado-geral da União à vaga na Corte. No entanto, segundo apurou a Coluna, o entorno de Alcolumbre avalia que a publicação da nomeação no Diário Oficial da União (DOU), que ocorreu no último dia 20, já é suficiente para o início da contagem dos prazos para a sabatina e a votação.

O presidente do Senado, inconformado com o fato de Lula não ter indicado Pacheco ao STF, marcou para 10 de dezembro a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O tempo é considerado curto pelo governo dadas as resistências ao AGU. A avaliação é de que o presidente da Casa, ao determinar um rito célere, trabalha pela rejeição do nome de Messias.

Alcolumbre já disse a interlocutores que, a partir de agora, será um “novo Davi” para o Planalto. Mais do que contrariedade, o senador manifestou revolta com a decisão de Lula de indicar Messias para o STF. “Vou mostrar ao governo o que é não ter o presidente do Senado como aliado”, afirmou a portas fechadas.

Na quarta-feira (26), Alcolumbre boicotou a cerimônia no Planalto de sanção da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o que escancarou o mal-estar. A medida é uma das principais apostas do governo Lula para as eleições de 2026. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também faltou ao evento, após romper relações com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ).

 

(Com O Estado S.Paulo)

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