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Economia O agronegócio e a mineração, setores da economia considerados primários, ganham força no País em meio à crise econômica provocada pela pandemia

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A agropecuária se destaca, com crescimento projetado de 24,1%. (Foto: Jonas Oliveira/ANPr)

O agronegócio e a mineração, setores da economia considerados primários, ganham força no País em meio à crise econômica provocada pela pandemia. Turbinados pelo câmbio favorável e pela alta da demanda por commodities nos países que se recuperam do baque da Covid-19, sobretudo a China, os dois segmentos aumentam seu peso no Produto Interno Bruto (PIB).

As evidências aparecem na forte alta das exportações, no pagamento de impostos, nos balanços financeiros das companhias do setor e na atração de investimentos.

Isso acontece em um momento de dificuldades para a indústria e os serviços, mais afetados pelas restrições sanitárias. O aumento do peso do setor primário é ruim para o país? Não necessariamente, dizem os economistas.

Se esses setores já foram tratados como básicos, com pouca capacidade de gerar emprego, tecnologia e oportunidades de desenvolvimento, essa realidade está mudando.

Especialistas lembram que há muito mais tecnologia no campo e nas minas, aumentando o valor agregado do que produzem e gerando benefícios econômicos em outras áreas.

“É cada vez mais tênue a linha entre o setor primário e a indústria e os serviços. Novas tecnologias ampliam impactos econômicos do agro e da mineração”, diz o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Cláudio Considera, pesquisador do Ibre/FGV e responsável pelo Monitor do PIB, diz que o peso da agropecuária na economia passou de 6,8%, no primeiro trimestre de 2016, para 12,6% em igual período deste ano.

Já a participação do extrativismo mineral na economia passou de 0,9% para 3,5% do PIB na mesma comparação.

Com metodologia mais abrangente, que inclui as cadeias de insumos, serviços e a indústria ligada aos produtos do campo, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq (USP) estima que o agronegócio respondeu por 26,6% do PIB do país no ano passado — o maior patamar desde 2004.

E este percentual deve crescer em 2021. Para se ter uma ideia do salto, em 2014 o setor representava 18,7% da economia.

“Em 2020, vimos o maior salto da participação do agro na série, de 20,5% do PIB, em 2019, para 26,6%”, diz Nicole Rennó Castro, pesquisadora da Cepea-Esalq. “Em 2021, a participação do agronegócio no PIB deve avançar mais um pouco, não no mesmo ritmo do ano passado, tanto pela produção quanto pelo preço.”

Dados do Banco Central compilados pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) indicam que a fatia da agropecuária e do extrativismo mineral no investimento estrangeiro no Brasil dobrou na última década. Representa agora mais de metade do ingresso das empresas.

Os empréstimos intercompanhias destes setores passaram de 25,7% em 2010 para 54,9% no primeiro trimestre de 2021, quando se analisa os dados de forma ampla, incluindo os investimentos na indústria relacionada aos dois segmentos.

“O que a gente percebe é que o setor primário passou a ser o mais importante entre todos os setores, em detrimento do industrial, que inverteu de importância relativa com o setor primário dentro dos investimentos diretos. E quando olhamos com lupa, parte importante dele é decorrente do beneficiamento de produtos agrícolas”, afirma Luís Afonso Lima, presidente da Sobeet.

Somente nos três primeiros meses de 2021, os impostos decorrentes da mineração cresceram 101%, um indicativo de aceleração do setor, após alta de 36% em 2020.

O minério de ferro voltará ao topo da pauta de exportações do país este ano, retomando o lugar perdido para a soja em 2015, prevê José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB): “Até abril, a soja ainda esteve à frente, mas quando acabar o embarque, o minério a ultrapassará.”

De janeiro a abril, as exportações de soja atingiram US$ 13,4 bilhões, alta de 22,4%. No mesmo período, as de minério de ferro somaram US$ 12,6 bilhões, valor 103,6% superior ao registrado nos quatro primeiros meses de 2020.

A bonança estimulou a recente abertura de capital da CSN Mineração, com ganho líquido de R$ 2,5 bilhões para a siderúrgica, e se refletiu no lucro de US$ 5,5 bilhões da Vale no primeiro trimestre, alta de mais de 2.000%. A alta das ações consolidou a mineradora como a empresa mais valiosa da América Latina. As informações são do jornal O Globo.

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