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Brasil Relatório da Polícia Federal diz que o atual governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, tem vínculo com o esquema de corrupção de Sérgio Cabral

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O peemedebista teria recebido 50 milhões de reais em propinas. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

A PF (Polícia Federal) descobriu indícios de pagamento de propina de 50 mil reais ao atual governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, nas investigações realizadas pela Operação Lava-Jato. De acordo com os agentes, o nome do chefe do Executivo fluminense aparece em uma troca de mensagens de celular de um operador do esquema de corrupção chefiado pelo antecessor Sérgio Cabral, que comandou o Estado entre 2007 e 2014.

Os agentes enviaram um novo relatório ao juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava-Jato no Rio, detalhando informações sobre pagamentos de propinas durante a gestão de Cabral. O documento cita mensagens encontradas no celular de Luiz Carlos Bezerra, identificado pela força-tarefa como o “homem da mala” da quadrilha e indica entregas de dinheiro de Bezerra para Pezão.

Segundo a PF, em novembro de 2013 (época em que ainda era vice-governador), Pezão teria recebido 50 mil reais em dinheiro de Bezerra, que é réu confesso e considerado o “caixa” da organização criminosa liderada por Cabral, do PMDB – mesmo partido de Pezão.

O relatório evidencia, ainda, a relação de proximidade entre Pezão e Bezerra. “Querido amigo e Exmo. Governador Pezzone, Parabéns e felicidades mil pelo seu aniversário, que iremos comemorar muitos outros adiante. Vamos juntos amigo, a gente até enverga, mas não quebra. Beijos e parabéns!”, diz a mensagem.

O documento foi finalizado em 6 de junho e encaminhado a Bretas cinco dias depois. O juiz agora aguarda uma menção do MPF (Ministério Público Federal) para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), já que o governador Pezão tem foro privilegiado.

Depoimento

Em seu depoimento ao MPF, o delator Leandro Azevedo, ex-executivo da Odebrecht, contou que em 2014 o então governador Sérgio Cabral comandou a negociação de doações ilegais para a campanha de seu sucessor, Luiz Fernando Pezão. Conforme Azevedo, o ex-diretor de infraestrutura da empresa, Benedicto Júnior, fez o acerto com Cabral.

“Benedicto me disse, na época, que havia combinado com Sérgio Cabral uma operacionalização nesse valor, um valor significativo de 22 ou 23 milhões de reais. Esse valor seria feito através de valores não contabilizados de caixa 2”, afirmou Leandro.

Já Benedicto detalhou aos procuradores da Lava-jato como foi a distribuição do dinheiro: “Os números que a gente levantou e tem comprovação eles montam alguma coisa de 125 milhões de reais. Desse valor, 95 milhões foram diretamente para o governador Sérgio Cabral e outros 20 e poucos milhões foram pagos na campanha de Luiz Fernando Pezão”.

O diálogo do delator com os investigadores também mostram como foi a divisão dos recursos: Ainda de acordo com Benedicto, os executivos consideraram os valores altos, mas disseram que decidiram contribuir por causa dos interesses da Odebrecht no Rio de Janeiro. “O objetivo da nossa doação era realmente a importância de continuidade da gestão do Sérgio Cabral. A Odebrecht tinha muito investimento e gostaríamos de ter continuidade de governo para que nós não tivéssemos problemas”, disse.

Leandro Azevedo disse que o combinado era fazer os pagamentos para Renato Pereira, o dono da agência de publicidade Prole, que fazia a campanha do então candidato Luiz Fernando Pezão. “Definimos o valor que ia ser pago pro renato em torno de 15 milhões de reais, e assim foi feito. O Renato entrou em contato comigo, combinamos que a operacionalização desses valores seria feita da mesma forma da outra, valores entregues na sede da prole com nome de recebimento do próprio Renato”, afirmou.

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