Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019

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Mundo Coreia do Norte envia uma carta à ONU para reclamar da apreensão de seu cargueiro pelos Estados Unidos

A Coreia do Norte enviou uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres. (Foto: ONU/Eskinder Debebe)

A Coreia do Norte enviou uma carta ao secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, para queixar-se da apreensão do cargueiro Wise Honest, efetuada pelos Estados Unidos, e pedir-lhe mediação urgente no caso, informaram neste sábado meios de comunicação de Pyongyang. As informações são da agência de notícias Efe e do jornal Folha de S.Paulo. 

A carta, assinada pelo representante norte-coreano na ONU, Kim Song, classifica a apreensão realizada no último dia 9 de “ilegal e degradante” e como “um ato que infringe a soberania”, segundo a agência estatal do regime “KCNA”.

Pyongyang considera que este ato “demonstra claramente que os Estados Unidos são um país gângster que não se importa em nada com as leis internacionais”, destaca a carta, na qual o representante norte-coreano também solicita a intervenção de Guterres neste assunto.

Concretamente, lhe pede “urgentes medidas como forma de contribuir para a estabilidade da península coreana e de provar a imparcialidade das Nações Unidas”.

Os EUA apreenderam a embarcação Wise Honest por violar sanções americanas e da ONU impostas ao regime por conta dos seus testes de armas.

A apreensão do cargueiro e a reivindicação de Pyongyang acontecem em um momento marcado pelos recentes lançamentos de mísseis por parte do regime norte-coreano após 17 meses sem realizar nenhum teste de armas, uma medida para pressionar Washington em pleno estancamento do diálogo sobre desnuclearização após a cúpula de Hanói.

O Wise Honest, apreendido primeiro pela Indonésia perto da sua costa em abril de 2018 e que o mantinha desde então, é um dos principais cargueiros da Coreia do Norte e, segundo as autoridades americanas, era empregado para “transportar de maneira ilícita carvão procedente da Coreia do Norte e maquinaria pesada com destino à Indonésia”.

Buraco negro

Uma imagem de satélite publicada pela revista britânica The Economist não deixa dúvidas: a Coreia do Norte é um buraco negro econômico (a própria revista fez a analogia). A foto noturna inclui as Coreias do Norte e do Sul, além de parte dos territórios fronteiriços chinês e russo. No extremo sudeste, aparece a ilha de Kyushu, no Japão.

No registro, as luzes sul-coreanas refletem a pujança econômica do país. Idem para a parte chinesa, um pouco menos na Rússia. Do riquíssimo Japão, nem se fala. Na Coreia do Norte, exceto por um brilhareco na capital, Pyongyang, o breu é absoluto.

A luminosidade noturna é um bom indicador de vigor na economia. A Economist cita um estudo recente do FMI, apontando uma correlação direta entre as luzes da noite e o PIB (Produto Interno Bruto). Em nações tão fechadas como a Coreia do Norte, esse é um dos únicos indicadores disponíveis para saber da economia.

Diante da escuridão vista na imagem de satélite, vem a pergunta inevitável: a economia norte-coreana vive de quê? A resposta mais simples é: algumas poucas exportações (como minerais e tecidos), contrabando e mercados domésticos semi-informais.

A derrocada econômica da Coreia do Norte começou nos anos 1990. Até então, o país, fundado em 1949, vivia às custas da União Soviética, num modelo parecido com o de Cuba: recebia petróleo quase de graça e exportava produtos superfaturados. Um péssimo negócio para a URSS, mas era assim que ela consolidava sua influência pelo globo.

No fim dos anos 1980, o Muro de Berlim ruiu, o socialismo real entrou em colapso e a Coreia do Norte, na época sob Kim Jong-il (pai do atual ditador), teve de andar com as próprias pernas. Não foi longe.

Condições climáticas terríveis (secas e enchentes extremas), somadas a lambanças na gestão ditatorial da agricultura, levaram a uma epidemia de fome. Dependendo de quem faz as contas, morreram entre 600 mil e 2 milhões de pessoas. No típico duplipensar da dinastia Kim, o período recebeu um nome poético: a “Árdua Marcha”.

Duas décadas depois, o país está longe de ter uma economia normal. Não há dados oficiais. Os poucos números vêm de estimativas sul-coreanas.

Com base na luminosidade noturna, um grupo de pesquisa do World Data Lab, citado pela Economist, estimou que o padrão de vida norte-coreano, por pessoa, custaria, nos EUA, o equivalente a R$ 5,6 mil anuais. Isso faz da Coreia do Norte um dos dez países mais pobres do mundo.

As sanções cada vez mais duras, lideradas pelos EUA, deixam a economia norte-coreana sem alternativas. E, além disso, o país enfrenta hoje sua pior seca em 37 anos. Até o fim deste mês, não há chuvas previstas.

Duas agências da ONU informaram nesta semana que 10 milhões de norte-coreanos, ou 40% da população, estão sofrendo com uma “grave falta de comida” e que ajuda internacional é necessária com urgência. A “Árdua Marcha” ainda não terminou.

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