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Um debate na ONU sobre direitos humanos teve um bate-boca entre o ex-deputado Jean Wyllys e a chefe da delegação brasileira

O ex-parlamentar disse que teve de renunciar ao seu terceiro mandato e sair do Brasil por causa de ameaças de morte. (Foto: Divulgação)

Um debate sobre autoritarismo e direitos humanos na sede europeia da ONU (Organização das Nações Unidas) terminou nesta sexta-feira (15) em bate-boca entre a chefe da delegação brasileira junto às Nações Unidas, embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo, e o ex-deputado federal Jean Wyllys, que participava da mesa.

Em Genebra, o professor e ex-parlamentar disse que teve de renunciar ao seu terceiro mandato e sair do Brasil por causa de ameaças de morte, que, segundo ele, intensificaram-se durante a corrida eleitoral de 2018.

“Desde que cheguei à Câmara, em 2011, [Jair] Bolsonaro me insultava nas comissões e no plenário e iniciou uma campanha de destruição de minha reputação com fake news”, afirmou Wyllys. “Fui a grande cobaia de um método depois ampliado para outras pessoas e largamente utilizado em sua campanha [em 2018], em que direitos humanos passaram a ser compreendidos como direitos de bandidos.”

Nos últimos minutos do debate, Farani Azevêdo, que assistia da plateia, pediu a palavra. “O presidente Bolsonaro não fugiu do Brasil nem mesmo depois de uma tentativa real de tirar a vida dele”, disse, em inglês, lendo um discurso preparado. “Mas essa é a era das fake news, que foram mencionadas aqui, e cabe a nós esclarecê-las.”

A embaixadora emendou: “A primeira é a de que o presidente é um criminoso. Seu governo não é uma organização criminosa nem ele é racista, fascista ou autoritário”. Referindo-se à cuspida de Wyllys na direção do então deputado Bolsonaro, na sessão de votação do impeachment de Dilma Rousseff, Farani Azevêdo afirmou: “Ele [o agora presidente] não cuspiu na cara da democracia. Escolheu eleições, voto, diálogo”.

A diplomata também defendeu a atuação do governo Bolsonaro na seara dos direitos LGBT, antes de voltar a atacar Wyllys: “Parlamentares que abandonaram seus eleitores para viajar o mundo disseminando fake news não têm credenciais para falar pela democracia, muito menos pelo povo brasileiro”. E concluiu, antes de se levantar do assento e sinalizar que deixaria o local: “Críticas ensaiadas, rasteiras diante de plateias dóceis não são democracia, mas zombaria com a escolha democrática de 57 milhões de pessoas”.

Um dos integrantes da mesa então perguntou: “A senhora não quer ouvir a resposta dele?”. Ao que Farani Azevêdo reagiu: “Desde que eu possa fazer uma tréplica”. O interlocutor não assentiu: “Desculpe, não é assim que as coisas funcionam”. A diplomata, que havia se reacomodado na plateia, ergueu-se novamente. “Por favor, embaixadora, ouça a minha resposta”, pediu Wyllys. “Se a senhora gosta de debate, deveria ouvir a minha resposta.”

E continuou: “O fato de a senhora ter saído do seu lugar e vir com um discurso pronto para essa sala é um sintoma mesmo de que a minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo, que não tem compromisso com a democracia, sobretudo em um momento em que a imprensa revela relações entre organizações criminosas, os assassinos de Marielle Franco e a família do presidente da República, que ocupa o Palácio do Planalto.”

Nesse momento, de pé, Farani Azevêdo retrucou: “A sua presença aqui envergonha o Brasil.” Wyllys prosseguiu: “Agora é a minha vez de falar, embaixadora. Por favor, respeite a democracia”. E repetiu: “Por favor, respeite a democracia, embaixadora.”

Ela então começou a caminhar em direção à saída. “É importante que cada pessoa sempre cuspa na cara de quem faz elogio à tortura”, afirmou Wyllys. “A tortura é um crime de lesa-humanidade. Nós não deveríamos tolerá-la em hipótese alguma, sobretudo em um governo que se autoproclama democrático.” Era o fim a intervenção do ex-deputado.

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