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Delegado da Polícia Federal vai comandar o Inep, instituto responsável pelo Enem

Elmer Vicenzi, indicado para a presidência do Inep, será “oficializado em breve”. (José Cruz/Agência Brasil)

O MEC (Ministério da Educação) confirmou nesta segunda-feira (15) Elmer Coelho Vicenzi como o novo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Em nota, o MEC confirma a indicação e diz que o nome será “oficializado em breve”. As informações são da Agência Brasil e do jornal O Globo.

Delegado de Polícia Federal, Vicenzi foi chefe do Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

A presidência do Inep estava vaga desde a exoneração de Marcus Vinicius Carvalho Rodrigues, no dia 26 de março.

Rodrigues foi exonerado após desentendimento com o então ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez. O ex-presidente do Inep assinou portaria que adiava a avaliação da alfabetização prevista pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para 2021. A medida foi revertida.

Autarquia vinculada ao Ministério da Educação, o Inep é responsável por avaliações como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicado a estudantes desde a alfabetização até o ensino médio, além dos Censos Escolar e da Educação Superior.

Vazamentos de informações

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, falou sobre evitar “sabotagem” no órgão e disse que não vai mais tolerar vazamentos de informações. As declarações foram feitas na manhã da última quarta-feira (10) durante reunião reservada com Carlos Nadalim, secretário nacional de Alfabetização. Na conversa, o ministro aproveitou para levantar o perfil de colaboradores atuais e de demitidos da pasta ligados ao ideólogo de direita Olavo de Carvalho. Nos três primeiros meses de governo, o MEC (Ministério da Educação) foi um foco de polêmicas, que culminaram com a demissão, nesta semana, de Ricardo Vélez Rodríguez do comando do ministério.

No encontro com Nadalim, também ex-aluno de Carvalho, Weintraub demonstrou preocupação com as brigas internas entre as alas ideológica e militar. No diálogo de 14 minutos, Weintraub pediu informações de colaboradores da chamada ala ideológica que atuam ou atuaram no MEC. O novo chefe da Educação perguntou sobre o perfil de Bruna Luiza Becker e Eduardo Sallenave, assessores especiais da pasta. Outro sondado foi Eduardo Melo, que era secretário-adjunto da Secretaria Executiva do MEC e foi um dos primeiros a serem demitidos no início da crise na pasta, no dia 11 de março.

O grupo ligado ao ideólogo de direita defende o retorno de Melo, atualmente na TV Escola, ao cargo. O ministro pergunta ao secretário Nacional de Alfabetização se ele é “avalista” do servidor demitido por Vélez. Diante da resposta afirmativa, Weintraub insiste: “Você garante que não está fazendo bagunça?” pergunta a Nadalim, que assegura a confiança em Melo.

Nas conversas, o ministro discorreu sobre posturas inadequadas na pasta e disse que se alguém “toma uma posição sem autorização da chefia” será “mandado embora”. Weintraub destacou que o ministério não vai mais se pautar pelo que é noticiado pela imprensa, e que não quer ninguém fazendo “barulho” no ministério. “Não pode sair falando [inaudível]. Se ele toma uma posição sem autorização minha, é mandado embora no mesmo instante”, disse o ministro, que continua a discorrer sobre o vazamento de informações. “Quem deu autorização? Sabotagem.” Em outro trecho da conversa, o novo ministro afirmou que havia integrantes do MEC “totalmente conectados” com a imprensa.