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E Valdir Espinosa foi despedido: ingratidão – 8º pecado capital

Ao que consta, Espinosa ganhava mixaria no Grêmio. (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Leio que o técnico campeão do mundo, Valdir Espinosa, foi posto para a rua pelo Grêmio. Há várias versões. Parece que a oficial é que ofereceram para ele ser alguma coisa das categorias de base ou algo desse jaez. Não importa. Não se oferece esse tipo de coisa para um cara como Espinosa.

O Grêmio trouxe Espinosa para auxiliar Renato. Para dar conselhos aos jogadores. Para ajudar o Grêmio com sua experiência. O diabo sabe mais por velho que por diabo. E a coisa vinha bem. O Grêmio está em quatro competições. E bem!

Ao encontrar a imprensa, Valdir se mostrou indignado: “Fui mandado embora. Hoje é o dia mais triste da minha vida. Espero que a direção fale a verdade sobre a minha saída”. E complementou: “Não sei se é trairagem ou burrice”.

Difícil saber, caro Espinosa. A hipótese da trairagem parece adequada. Afinal, tem gente de dentro que fica com ciúmes e coisas assim. Burrice? Também pode ser uma boa resposta. Não é a primeira vez que a direção de um grande clube faz esse tipo de patacoada. Afinal, é só ler a lista de bagres comprados por Grêmio e Inter e o dinheiro posto fora com treinadores, e já teremos um bom início da investigação acerca de ter sido trairagem ou burrice.

Ao que consta, Espinosa ganhava mixaria no Grêmio. Ninharia, se comparado ao que se gastou com Luxemburgo, Celso Roth e o grande Cleber Gladiador, que custou o preço do Estádio Olímpico. Com o dinheiro de alguns maus negócios daria para pagar o salário de Espinosa durante os próximos 5.000 anos.

Por que me odeias, se só te faço o bem? Eis uma pergunta nelsonrodrigueana. A ingratidão é uma coisa muito feia. Sempre digo para a minha equipe que me assessora: se alguém sentir a comichão de ser ingrato, por favor, faça-o de saída. Não depois de eu pegar afeição.

Espinosa e Grêmio tinham afeição. A torcida nunca é ingrata com seus ídolos. Um clube é mais do que um estádio, camisetas e uma folha de pagamento. Um clube é algo simbólico. É um magma de paixões. É um estado de natureza afetivo. Mas uma coisa é cláusula pétrea: cultivar e respeitar seus ídolos. Olhar sempre pelo espelho retrovisor para melhor poder controlar o modo como irá enfrentar o caminho a seguir.

Na Roma antiga os generais que voltavam das batalhas, ao desfilarem em carro aberto, tinham ao seu lado um escravo, que por dever legal, de 500 em 500 jardas soprava ao ouvido do galhardeado: lembra-te que és mortal.
Pois cada dirigente de um grande time tinha de ter um funcionário que, por dever legal, de hora em hora, assoprasse ao ouvido do dirigente: “Lembra-te dos nossos ídolos. Lembra-te que só somos grandes por causa de gente como eles”.

Talvez assim não haveria esse tipo de ingratidão. Por isso, eu diria que não foi nem burrice, nem trairagem: foi pior, foi ingratidão, o oitavo pecado capital.

De todo modo, se algum dirigente disser que, com isso, pouparam alguns caraminguás, e, por isso, foi uma medida correta de gestão, lembro de outra história da Roma antiga, a do general Pirro, que, às portas de Roma, olhando para a tropa em frangalhos, disse: Se eu ganhar mais uma batalha desse jeito, estou lascado.

É isso. Era o que eu tinha a dizer como gremista e agradecido a Valdir Espinosa. Sim, eu me lembro dos ídolos. Nem preciso de um estagiário para me assoprar no ouvido.

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