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Capa – Destaques Caso Bernardo: saiba os detalhes do primeiro dia de julgamento

Bernardo Boldrini foi morto em 4 de abril de 2014 em Três Passos (Foto: Reprodução)

Teve início, na manhã desta segunda-feira (11), o julgamento dos acusados da morte de Bernardo Uglione Boldrini. Às 9h30min de hoje, sete pessoas da comunidade, do total de 25, foram sorteadas para integrar o júri. Cinco homens e duas mulheres fazem parte do Conselho de Sentença, grupo que fica incomunicável até o fim do julgamento. O Tribunal de Justiça estima que o júri tenha duração de cinco dias e que 28 testemunhas deponham durante o período.

No banco dos réus, estão presentes a madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, o pai, Leandro Boldrini, a amiga de Graciele, Edelvânia Wirganovicz e o irmão dela, Evandro Wirganovicz. Eles respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Foto: Reprodução/Montagem

Após interrupção da sessão para o almoço, os trabalhos foram retormados às 12h30min. Trinta minutos depois da reabertura, começou a ser realizada, por meio de senhas, a entrada do público em geral – que tem interesse em acompanhar o julgamento. Próximo das 13h, a primeira testemunha a prestar depoimento foi a delegada responsável pelo caso, Caroline Bamberg.

Ao relatar cronologicamente as investigações, a delegada afirmou que as hipóteses iniciais eram de sequestro, desaparecimento por conta própria e suicídio. Entretanto, Caroline pontuou que desencontros de informações causaram estranheza, o que acabou colaborando para que as duas primeiras especulações fossem descartadas. “Percebia-se claramente que havia envolvimento do Leandro, Graciele e Edelvânia”, relatou.

Delegada Caroline Bamberg, de Três Passos, depõe no julgamento do Caso Bernardo (Foto: Twitter/MPRS)

As imagens de posto que mostram a saída de Graciele e Bernardo do carro da madrasta para a entrada no carro de Edelvânia, dia em que viajaram com o garoto até Frederico Westphalen, também foram mencionadas no depoimento. Caroline lembra que Edelvânia decidiu colaborar com as investigações, confessando o crime, e que foi ela quem indicou onde estava o corpo de Bernardo.

Por volta das 14h, o promotor responsável pela acusação, Bruno Bonamente, começou a fazer seus questionamentos à testemunha, principalmente sobre a relação entre o casal (Graciele e Leandro) e o menino. De acordo com a delegada, a intenção sempre foi a de demonstrar que tudo era perfeito, embora as testemunhas dissessem que Bernardo era abandonado e seguidamente passava fome. “A família pintava uma ótima relação. Percebemos entre amigos (e seus pais), babá e outras pessoas, que não era verdade”. Caroline ainda observou o comportamento estranho de Leandro, que mesmo com o desaparecimento do filho não se mostrou preocupado: “O pai procurou no domingo à noite, não encontrou o garoto. Foi dormir antes da meia-noite e trabalhou normalmente na manhã de segunda-feira, com o menino sumido há dois dias”.

Quanto ao envolvimento de Evandro, a testemunha observa que a madrasta e a amiga tentaram fazer a cova onde Bernardo foi enterrado, mas não conseguiram. Foi nesse momento em que decidiram pedir ajuda a ele. “Evandro negou que estivesse no local da cova dois dias antes do crime, mas depois que ficou sabendo que seu carro havia sido encontrado, disse que estava pescando”, ressaltou.

Após o encerramento das perguntas do promotor Ederson Luciano Maia Vieira, os advogados de Leandro Boldrini assumiram a palavra. Depois de uma hora de questionamentos e quase três horas de depoimento da delegada Caroline Bamberg, o julgamento foi suspenso para pausa de 15 minutos. No retorno, o advogado de Graciele Ugulini, Vanderlei Pompeo de Mattos, fez perguntas à testemunha.

Na oportunidade, o advogado da madrasta desejou que Caroline discorresse a respeito da relação entre os irmãos. “As testemunhas citaram que no início, a família se dava bem. Depois, que a Graciele ficou grávida, a coisa mudou. Bernardo amava demais a irmãzinha, segundo os depoimentos”, observou. Quanto à crítica da midiatização do caso, a testemunha ressalta que nunca procurou a imprensa e que, na verdade, tentou afastá-la em determinado momento para que as investigações corressem da melhor forma possível.

Em seguida, os advogados de Edelvânia Wirganovicz, Jean Menezes Severo e Gustavo Nagelstein, e de Evandro Wirganovicz, Hélio Francisco Sauer, interrogaram a delegada. Este último fez perguntas pontuais à Caroline, se direcionando ao contato entre os irmãos na época do crime e às provas periciais que envolvem seu cliente.

Às 17h28min, o depoimento da testemunha foi encerrado e o julgamento teve nova pausa. O retorno dos trabalhos ocorreu com a tomada da palavra pela delegada Cristiane Moura, de Três Passos. Ela é a segunda testemunha (de 14) a falar no julgamento do Caso Bernardo. “O menino apagou e aí elas enterraram ele nú, jogaram soda cáustica, pedras e terra”, contou.

Depois de indicar detalhes do crime, a delegada informou a relação de Bernardo com o pai. Segundo ela, o menino tinha orgulho dele. “Ele tinha certo orgulho. Dizia que o pai salvava vidas”. Mas, a relação não era recíproca. “Bernardo estava abandonado em todos os sentidos”, disse a delegada.

Os advogados de defesa de Leandro, às 19h30, perguntaram sobre as testemunhas que, segundo ele, afirmavam que o menino Bernardo era bem tratado. Elas diziam que o menino recebia vestes adequadas e lanches — diferente do que foi dito por outras pessoas.

A delegada Cristiane de Moura e Silva respondeu que as roupas e a comida teriam sido dadas pela dinda do garoto e outros conhecidos.

Ás 20h, a Juíza pediu alguns minutos para despache.

A sessão foi retomada, depois de seis minutos, com os advogados de Edelvânia. Eles fizeram perguntas para a delegada Cristiane de Moura e Silva. A Defesa dela voltou a ressaltar que a cliente foi interrogada sem a presença de um advogado.

Então, o advogado questiona, aos berros, se o crime seria “uma trama diabólica”: para ele, Edelvânia é “uma assistente social que “nunca matou um passarinho”. “Esse é pior inquérito que já vi na minha vida”, argumenta.

O advogado de Evandro faz as últimas perguntas para delegada Cristiane de Moura e Silva ás 20h46. Em seguida, sessão deve ser encerrada. Retomada do julgamento está prevista para terça-feira (12), às 9h30min.

Defesa de Evandro, utiliza as respostas do detector de mentiras ao qual ele foi submetido para argumentar que ele não sabia da morte de Bernardo.

O MP e a defesa de Evandro entraram em conflito ás 20h55. A juíza Sucilene Engler, levantou a voz para eles encerrarem a discussão.

Depois de mais de onze horas, o primeiro dia de julgamento foi encerrado ás 20h57. O Júri recomeça o segundo dia, ás 9h desta terça-feira (12), com depoimentos de testemunhas listadas pelo MP. A primeira a testemunhar será Juçara Petry, a quem Bernardo adotou como mãe.

 

*Última atualização: 21h05 do dia 11/3

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