Últimas Notícias > Capa – Caderno 1 > Penitenciária de Porto Alegre realiza ações de inclusão social

Navios japoneses mataram 122 baleias grávidas alegando fins científicos

Os ambientalistas classificaram como "abominável" a prática. (Foto: Reprodução)

Alegando fins científicos, navios baleeiros japoneses caçaram 333 baleias minke na última expedição ao Oceano Antártico, durante o último verão. Destas 181 eram fêmeas, incluindo 53 animais imaturos. Das 128 baleias fêmeas adultas, 122 estavam grávidas, revela um relatório técnico apresentado à Comissão Baleeira Internacional. Para ambientalistas, o documento é mais uma evidência do “abominável” programa baleeiro nipônico.

“A matança de 122 baleias grávidas é uma estatística chocante e uma triste acusação contra a caça às baleias promovida pelo Japão”, afirmou Alexia Wellbelove, da ONG Humane Society International, em comunicado. “É mais uma demonstração, se preciso, da natureza horrível e desnecessária das operações baleeiras, especialmente quando pesquisas não letais se mostram suficientes para as necessidades científicas.

Em 2014, a corte internacional de justiça ordenou a suspensão da caça anual de baleias no Oceano Antártico, após considerar que o programa japonês, conhecido como Jarpa II, não possuía propósitos científicos. Dois anos depois, o Japão apresentou um novo programa, incluindo a redução da cota para um terço do que era praticado antes da proibição.

O relatório apresentado à Comissão Baleeira Internacional foi preparado por representantes do Instituto de Pesquisas de Cetáceos, uma agência de pesquisas associada ao Ministério da Pesca japonês, junto com pessoal da Universidade Tóquio de Ciência e Tecnologia Marinha e da companhia de processamento de pescados Kyodo Senpaku.

“Uma ou duas baleias minke foram escolhidas aleatoriamente de cada grupo avistado usando arpões de penetração com uma granada de 30 gramas”, explica o relatório, ao relatar como a caça é praticada. “As baleias da amostra foram transportadas imediatamente para o navio base de pesquisas, onde foram realizadas medições biológicas e retiradas amostras”.

Na apresentação do novo programa baleeiro, o Ministério da Pesca do Japão alegou que a prática é necessária para estudar os melhores métodos de manejo das populações de baleias minke.

“A matança continuada de qualquer baleia é abominável para a sociedade moderna, mas esses nossos números a tornam ainda mais chocante”, afirmou Alexia. “Nós pedimos que a Austrália e outros países em prol da conservação que enviem a mensagem mais forte possível para que o Japão pare com seus programas baleeiros letais”.

Peixes tropicais

Após um verão com temperaturas recorde e aquecimento anormal das águas do Mar de Tasman, peixes tropicais da Austrália foram vistos na Nova Zelândia. A garoupa gigante, por exemplo, natural dos recifes e estuários da costa de Queensland, a mais de 3 mil quilômetros de distância, foi avistada nadando nos destroços do navio HMNZ Canterbury, em Bay of Islands, no distrito de Far North.

A garoupa gigante, também conhecida como garoupa de Queensland, é um dos símbolos daquele estado australiano. Quando adulto, pode atingir até três metros de comprimento e 600 quilos. Classificado como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza, o peixe é protegido pela legislação australiana. Ele é encontrado em cavernas em recifes de corais e em estuários, em regiões de água morna.

O verão deste ano foi o mais quente já registrado na Nova Zelândia, com aquecimento anormal dos mares, que chegou a 6 graus Celsius em algumas áreas. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Atmosféricas e da Água, a temperatura média das águas no entorno do país foi de 20,3 graus Celsius em janeiro, mais de três graus acima do normal.

De alguma forma, a garoupa gigante vista em Bay of Islands migrou das águas tropicais para as zonas temperadas neozelandesas. Porém, lamentou Johnston, o mais provável é que o animal não sobreviva quando as águas esfriarem, já que a espécie não suporta temperaturas abaixo de 18 graus Celsius.

Além da garoupa gigante, outros peixes naturais de águas tropicais foram vistos nadando na costa da Nova Zelândia, como castanhetas, olhetes e peixes sapo.