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Para a Fiergs, fatores estruturais impedem a redução da taxa básica de juros da economia brasileira

Gilberto Petry, presidente da Fiergs, participa do painel com foco no setor privado. (Foto: Divulgação)

A Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul) considera que a manutenção da Selic (a taxa básica de juros da economia brasileira) em 6,50% ao ano, anunciada na quarta-feira (1º) pelo Copom (Comitê de Política Monetária), se deu pelo fato de existirem fatores estruturais que pesam sobre a manutenção da taxa em nível elevado.

“Reduzir a taxa de juros ajudaria muito na recuperação econômica, por isso, lamenta-se que os juros não tenham caído mais. Sabemos, contudo, que enquanto o País não solucionar os riscos fiscais, é difícil conceber juros mais civilizados”, afirmou o presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry.

Segundo Petry, a greve dos caminhoneiros foi um choque sobre a inflação, que deve se dissipar ao longo do ano. Ele disse que, com a economia desaquecida e a taxa de inflação estável, não há motivo para a elevação da taxa de juros no curto prazo.

Decisão do Copom

Pela terceira vez seguida, o Copom não alterou os juros básicos da economia. Com a decisão, esperada pelos analistas financeiros, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do BC, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018.

Em maio, o BC interrompeu uma sequência de quedas da Selic e manteve a taxa em 6,5% ao ano, em uma decisão que surpreendeu o mercado financeiro. Na ocasião, o BC alegou que a instabilidade internacional, que se manifestou na valorização do dólar nos últimos meses, influenciou a decisão.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA acumula variação de 4,39% nos 12 meses terminados em junho, abaixo do centro da meta de inflação, que é de 4,5%. O índice, no entanto, foi o maior para meses de junho desde 1995 por causa da paralisação dos caminhoneiros, que provocou escassez de produtos e alta de preços.

Até 2016, o CMN (Conselho Monetário Nacional) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 4,2%. De acordo com o Boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,11%.

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