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Paralisia do governo dos Estados Unidos começa a afetar o dia a dia de americanos

Estados Unidos passa por paralisação parcial, o chamado shutdown. Trump não dá sinais de ceder em seu plano de construir um muro ao longo da fronteira com o México. (Foto: Reprodução)

Desde o início, parecia que o shutdown, paralisia do governo dos Estados Unidos que completa nesta segunda-feira (14) 24 dias, não teria um fim à vista. Mais de três semanas depois, com Washington ainda bloqueando a demanda do presidente Donald Trump por um muro ao longo da fronteira sudoeste dos EUA com o México, isso ainda é uma verdade.

De acordo com o jornal The New York Times, os efeitos mais agudos da mais longa paralisação dos 242 anos de história do país estão apenas começando a surgir. Em muitas partes dos Estados Unidos, a paralisação sublinhou quão profundamente o governo federal está conectado à vida cotidiana, e o impasse sobre os gastos criou crises em cascata longe da fronteira.

Cerca de 800 mil funcionários públicos estão sem receber salário, e um número crescente deles, preocupados com a falta de pagamento de suas hipotecas e faturas de cartões de crédito, estão entrando com o pedido de seguro-desemprego.

Milhares de empreiteiros contratados pelo governo estão desempregados e provavelmente não conseguirão recuperar seus pagamentos perdidos. Restaurantes e lojas situadas próximo a importantes escritórios e órgãos federais, especialmente em Washington, se esvaziaram.

A situação é a mesma nos laboratórios administrados pela Nasa, a agência espacial norte-americana, e nos museus do Smithsonian Institution, ao longo do National Mall. As inspeções de alimentos diminuíram, assim como muitas verificações feitas pela Agência de Proteção Ambiental.

Os viajantes se queixam das filas quilométricas do setor de inspeção nos aeroportos, a cargo de funcionários da Administração de Segurança de Transportes, que estão trabalhando sem remuneração. O lixo vem se acumulando em várias atrações do National Park Service, ou pelo menos naquelas que ainda estão funcionando.

Tribos nativas americanas perderam milhões de dólares em verbas federais para serviços básicos, agricultores estão afetados por problemas com empréstimos e pagamentos, e os Estados têm emitido cheques para manter alguns serviços e propriedades, como a Estátua da Liberdade, funcionando normalmente. Os tribunais federais estão parados até agora, com o objetivo de economizar dinheiro suficiente para voltar a funcionar até o próximo dia 18.

Em Denver, Mowa Haile, proprietário da Sky Blue Builders, foi forçado a parar de trabalhar em vários projetos para a Administração de Serviços Gerais, a agência federal que lida com as aquisições e projetos de escritórios. Isso pode levar à demissão de oito carpinteiros e um superintendente da firma, que tem 50 funcionários.

Efeitos na construção civil

Em um mercado de trabalho competitivo para mão-de-obra qualificada, Haile está preocupado com a possibilidade de perder esses funcionários quando o governo reabrir. Em entrevista à CBS News, ele disse que já está pensando em cortar quatro ou cinco trabalhadores, enquanto o impasse continua.

A Sky Blue Builders normalmente fatura cerca de US$ 20 milhões anualmente, com cerca de metade dos contratos fechados com o governo federais, Haile disse que é capaz de executar o trabalho para o Departamento de Defesa totalmente financiado. Mas a empresa ainda aguarda receber cerca de US$ 175 mil do governo pelos trabalhos realizados em dezembro, embora tenha enviado a fatura um pouco antes do shutdown.

No entanto, encarregados de projetos federais disseram a ele que não tinham ideia de quando a Sky Blue Builders poderia ser paga. Diante deste cenário, Haile acredita que não tem condições de iniciar um outro projeto de US$ 600 mil, pois não há ninguém por perto para aprová-lo.

“O fluxo de caixa no setor de construção é intensivo, você gasta dinheiro e, quando recebe o dinheiro, isso só acontece 60 dias depois”, disse Haile. “Essas situações deixam você no limbo. Temos bons recursos financeiros, mas não o suficiente para manter todas essas pessoas e sustentar o negócio. Temos que tomar essas decisões difíceis.”

O Congresso aprovou recentemente uma proposta que prometia pagamento atrasado para os trabalhadores federais afetados pela paralisação. Mas os cheques só virão quando Washington chegar a um acordo. Até lá, as conseqüências vão se acumular de costa a costa.

 

 

 

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