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Perícia contratada por Lula diz que a empreiteira Odebrecht fraudou provas

Advogado que prestou serviço à empreiteira e está foragido, já havia dito que a empresa manipulou dados. (Foto: Ricardo Stuckert)

A perícia contratada pela defesa do ex-presidente Lula afirmou que a Odebrecht apresentou documentos fraudados à Justiça como provas de repasses de propinas a políticos registrados no Drousys, o sistema de contabilidade paralela da empreiteira. O especialista que analisou papéis anexados pelo MPDF (Ministério Público Federal) na acusação contra o petista diz que alguns extratos têm marcas de montagem ou enxerto. Segundo ele, os papéis também apontam inconsistências em datas de transações e em assinaturas.

Os documentos contestados pelos advogados de Lula fazem parte de ação da Lava Jato que investiga o uso de um apartamento vizinho ao do petista em São Bernardo do Campo. Para a acusação, a Odebrecht custeou a aquisição do imóvel.

O perito que analisou os documentos da empreiteira é o mesmo que atestou a validade formal dos recibos apresentados por Lula como prova de que ele pagou o aluguel do local. Entre os registros analisados pelo especialista estão extratos apresentados pela Odebrecht de movimentações na filial de um banco que a empreiteira comprou no Caribe, o Meinl Bank.

Rodrigo Tacla Durán, advogado que prestou serviço para a empreiteira e está foragido na Espanha, já havia dito que a empresa manipulou dados desta instituição financeira. A Odebrecht sempre negou essas acusações e reafirmou que colabora com as investigações e que os dados que corroboram sua delação premiada serviram de base para acordos já homologados pelas autoridades de diversos países, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Justiça Federal do Paraná.

Triplex

O laudo de avaliação judicial do apartamento triplex no Guarujá (SP) atribuído ao ex-presidente Lula chegou à conclusão de que o imóvel vale R$ 2,2 milhões. O procedimento foi feito a pedido do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), que determinou a venda do imóvel por meio de hasta pública (alienação de bem penhorado).

Moro tomou a providência depois que a Justiça do Distrito Federal penhorou o tríplex num processo de cobrança de dívidas da construtora OAS. O juiz suspendeu o procedimento e determinou a venda do imóvel, que é considerado fruto de propina paga pela empresa ao líder petista pela execução de obras superfaturadas em refinarias da Petrobras.

A oficial de Justiça que fez a avaliação esclareceu no laudo que se dirigiu ao local e que o porteiro, “Senhor Alexandre”, informou que “as chaves do apartamento ficam com funcionários da empresa OAS”. O funcionário deu a ela o telefone da empreiteira, que enviou dois funcionários ao local. Um deles era a engenheira Mariuza Aparecida da Silva Marques, que foi testemunha do processo contra Lula.

Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão na ação penal que apurou sua relação com a OAS. Segundo a sentença do TRF-4 proferida em janeiro, o ex-presidente foi culpado dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro por participar no caso de desvios de recursos da Petrobras, no qual teria sido beneficiado com o apartamento no Guarujá.

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