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CAD1 Saiba o que a Espanha e a Catalunha têm a perder, em caso de separação

Independente do desfecho do movimento, especialistas dizem que ambas as partes teriam prejuízos. (Foto: Reprodução)

A economia tem papel-chave no processo separatista da Catalunha. Tanto soberanistas quanto os contrários à independência usam cifras como argumentos pró e contra a secessão. Segundo José Luis Feito, presidente do IEE (Instituto de Estudos Econômicos), instituição sediada na Espanha, qualquer que seja o desfecho, é inevitável que ambas as partes percam algo.

A grande maioria das projeções considera um cenário em que a Catalunha continuaria na UE (União Europeia) ou, pelo menos, no Espaço Econômico Europeu, que dá acesso ao mercado único. Mas a União Europeia já avisou que isso não acontecerá: se a Catalunha se converter em um novo Estado, terá que solicitar seu ingresso na instituição, processo que leva anos.

Já o governo catalão acredita que a UE não aplicará, na prática, esse discurso. Por outro lado, se não o fizer, abriria precedente para outras regiões com intenções separatistas, como a Baviera alemã e a Lombardia italiana.

Catalunha

A Generalitat (o governo local) diz que a Catalunha não deixará de utilizar o euro mesmo se ficar fora da zona da moeda, para dar segurança jurídica às transações empresariais de suas companhias. O IEE considera isso impossível, já que uma Catalunha independente nasceria com fuga de empresas e capitais que não permitiria dar conta de pagamentos como os dos salários de seus funcionários nem nos primeiros cem dias.

“Ninguém emprestaria euros ao Estado catalão, e ele teria que imprimir sua própria moeda. E ela seria brutalmente inflacionária”, afirma Feito.”E por não ser membro da zona do euro, sua dívida não poderia ser utilizada para pedir financiamento ao Banco Europeu”, acrescenta.

Segundo o governo catalão, a região aporta mais ao tesouro espanhol do que recebe em troca. São 16 bilhões de euros (R$ 60 bilhões), cerca de 8% de seu PIB. Mas isso não quer dizer que a Catalunha ganharia de maneira imediata 16 bilhões de euros em caso de independência.

Segundo o IEE, 80% das empresas na Catalunha são multinacionais e só estão lá porque ela faz parte da UE. Se saírem do bloco, terão que pagar taxas. Uma em cada três empresas de exportação da Espanha tem sede na Catalunha, respondendo por 25% das exportações do país.

A Espanha compra 40% dos produtos que saem da Catalunha e os outros 40% vão para o resto da UE. Além disso, 14,3 % dos turistas que visitam a Catalunha são da Espanha. Mesmo assim, o Conselho Assessor para a Transição Nacional da Catalunha acredita que um boicote levaria a uma queda do PIB não maior de 2%.

Espanha

A Espanha ainda não se recuperou completamente da crise econômica que atravessou por uma década. Há 4 milhões de desempregados. Sem os catalães, o número cairia para 3,4 milhões. Com a secessão, porém, o país perderia sua região mais rica: em 2016, a Catalunha registrou um PIB recorde de 223,6 bilhões de euros (R$ 840 bilhões em valores atuais), o dobro do Panamá, por exemplo.

A independência custaria à Espanha a perda de 19% de seu PIB e de 18,4% de suas empresas. A Catalunha aporta 70,3 bilhões de euros aos cofres espanhóis, mais do que o restante das regiões. Desse total, o governo central fica com 9,9 bilhões, que utiliza para ajudar áreas mais pobres do país.

A independência também levaria a Espanha a perder o seu principal porto no mar Mediterrâneo, o de Barcelona. O porto também é essencial para o turismo: 4 milhões de passageiros passam por ele a cada ano. Outro porto importante da Catalunha é o de Tarragona, região que também abriga o maior número de indústrias químicas do país.

Outra questão espinhosa de um possível separatismo é a dívida externa de um novo Estado catalão. O valor seria de 79 bilhões de euros, 35,4% de seu PIB. Desse total, cerca de 53 bilhões correspondem a compromissos com o governo da Espanha. A dívida em nome do Estado espanhol é utilizada para gastos e investimentos em prol de todas as regiões, incluindo a Catalunha, por isso muitos insistem para que ela assuma a parte que lhe cabe.

A Espanha também é uma potência turística. No ano passado, recebeu 75,3 milhões de visitantes estrangeiros, um recorde. Quase um quarto deles (22,5%) tinham a Catalunha como destino. Seus 580 quilômetros de costa oferecem praias paradisíacas, às quais se chega facilmente de trem ou ônibus. No inverno, as montanhas dos Pirineus estão entre as favoritas dos esquiadores.

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