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Uma pílula para ganhar músculos é perigosa: agência dos Estados Unidos alerta para o risco de toxicidade hepática, derrame e ataque cardíaco

As pílulas são vendidas como anabolizantes que ajudam a criar músculos sem efeitos colaterais. (Foto: Reprodução)

Muitos atletas e fisiculturistas estão recorrendo a uma nova pílula, popular mas perigosa, para ajudá-los a ganhar músculos e força. A alternativa aos esteroides anabolizantes se chama sarm.

As pílulas são vendidas on-line, tanto no Brasil quanto nos EUA, como anabolizantes que ajudam a criar músculos sem efeitos colaterais.

A difusão dessas novas drogas alarmou as autoridades de saúde, que afirmam que não há garantias de segurança no uso desses remédios.

As farmacêuticas desenvolveram os sarm, sigla para moduladores seletivos de receptor de androgênio, como alternativa aos esteroides anabolizantes, para pessoas que sofrem de perda muscular e de função dos músculos causada pela idade – a sarcopenia.

No entanto, essas drogas ainda estão em fase de testes e não foram aprovadas para uso pela FDA (Food and Drug Administration), agência americana de regulamentação de alimentos e remédios, ou pela Anvisa, no Brasil.

Em outubro do ano passado, a FDA divulgou um alerta sobre os sarm, associando a droga a risco ampliado de toxicidade hepática, derrames e ataques cardíacos.

Um estudo publicado na revista científica Jama revelou que os produtos comercializados como sarm são frequentemente identificados incorretamente e contêm ingredientes não listados.

De 44 produtos analisados para o estudo, só metade continha um sarm legítimo, enquanto 10% não tinham sarm algum. Cerca de 40% dos produtos testados continham outros hormônios e componentes não aprovados. Diversos tinham um remédio abandonado pela farmacêutica GlaxoSmithKline depois da descoberta de que ele causava câncer em animais.

“É um terreno totalmente arenoso”, diz Alexandre Hohl, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. As consequências a longo prazo do uso de sarm são, em geral, desconhecidas. “É mais perigoso do que outras bombas, porque falta conhecimento.”

O americano Thaddeus Owen, 42, que se descreve como biohacker, começou a usar um sarm em 2016, acompanhado de uma dieta e programa de exercícios. Ele disse que as pílulas o ajudaram a ganhar mais de dois quilos de musculatura em quatro semanas.

O gaúcho Kleber (nome fictício), 21 anos, documenta seu uso de sarm com vídeos no Youtube. “Terminei na terça-feira (17). Usei por 12 semanas.” O estudante afirma que não teve efeitos colaterais, mas que não recomendaria que outras pessoas usassem o produto, por não serem claros os possíveis problemas futuros.

Um dos efeitos adversos relatados é a queda de cabelo, inclusive relatada em um vídeo de Youtube de outro testador de sarm. “Meu cabelo está caindo para caramba”, diz o homem no vídeo.

Um teste de três semanas conduzido pela Universidade de Boston demonstrou que um sarm desenvolvido pela Ligand Pharmaceuticals era seguro e tolerável para homens saudáveis, produzindo ganhos significativos de massa muscular e força sem elevar a presença de uma proteína associada ao câncer de próstata. Mas o produto tinha outros efeitos colaterais como causar queda do colesterol bom, o HDL, o que despertou dúvidas sobre seu efeito na saúde cardíaca.

Thomas O’Connor, médico que criou uma clínica de saúde masculina e é autor do livro “America on Steroids”, disse que muitos de seus pacientes eram usuários de esteroides anabolizantes e se voltaram aos sarm porque foram informados de que eram seguros e não tóxicos. Ele disse que, de 2010 para cá, viu “centenas, talvez mais de mil”, homens das mais variadas profissões, entre os quais policiais, operários, atletas amadores, contadores e outros, usando as substâncias.

É difícil determinar o impacto preciso dos sarm, porque as pessoas que os usam costumam combiná-los com outras drogas, substâncias e suplementos, disse O’Connor. Mas uma coisa que ele vê com frequência entre as pessoas que usam os sarm é que seus perfis de colesterol pioram e seu nível de enzimas hepáticas sobe, o que é um sinal de desgaste maior em seus fígados. Alguns usuários também sofrem de perda de ímpeto sexual, queda de cabelos, acne e irritabilidade, ainda que seja difícil determinar se esses sintomas são causados pelo sarm ou por outros ingredientes não listados nas bulas dos produtos.

As autoridades antidoping estão cientes do sarm e sabem que um número crescente de atletas de ponta está usando a substância. Desde 2015, a Agência Antidoping dos EUA impôs sanções a mais de duas dúzias de astros do atletismo e halterofilismo, ciclistas, lutadores e outros, que foram apanhados em testes de sarm.

“Trata-se de agentes ilícitos, e que não contam com diretrizes de uso desenvolvidas por especialistas; são perigosos. Melhor não usá-los”, diz O’Connor.