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Conselho Universitário deve se reunir na semana que vem para discutir afastamento do reitor da UFRGS

Bulhões foi escolhido por Bolsonaro mesmo obter apenas três dos 77 votos da comunidade acadêmica. (Foto: Lucas Dalfrancis/UFRGS)

Em reunião marcada para a próxima sexta-feira (13), o Conselho Universitário (Consun) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) deve discutir um possível afastamento do reitor da instituição, Carlos André Bulhões. A medida consta em parecer aprovado por comissão especial que analisa a suposta recusa do reitor em acatar decisões do colegiado.

O documento aprovado também sugere que o órgão requeira ao Ministro da Educação a instauração de processo administrativo disciplinar (PAD) para apurar a eventual “responsabilidade de servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido”.

A gestão de Carlos André Bulhões é alvo de questionamentos desde a sua escolha para o cargo (com mandato de quatro anos), em setembro de 2020: ele foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro mesmo após a sua chapa ficar em último lugar (apenas três de 77 votos) dentre as três concorrentes na lista tríplice submetida à comunidade acadêmica.

O desfecho acabou sendo considerado como uma bravata por parte do governo federal e também um desrespeito à  democracia e à autonomia universitária. Bulhões teve entre seus principais apoiadores o deputado bolsonarista gaúcho Bibo Nunes (PSL), que frisou ter pedido pessoalmente a nomeação de Bulhões a Bolsonaro.

Conduta polêmica

Desde que assumiu o cargo, Bulhões promoveu mudanças como a criação da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais e a fusão entre as Pró-Reitoria de Graduação com a de Pós-Graduação e a de Pesquisa com Extensão. O Consun decidiu anular as fusões mas o reitor manteve a decisão.

“As irregularidades imputadas ao reitor poderão ser mais bem apuradas no Ministério Público Federal quanto à identificação de prejuízo ao patrimônio da UFRGS, ao patrimônio imaterial e à harmonia interna da instituição, por se tratar de descumprimento inédito na história desta instituição”, diz a comissão especial no parecer.

Em nota à imprensa, o reitor sublinhou que “a modernização administrativa, com alterações na estrutura interna da Universidade, é prerrogativa do reitor em exercício” e que “modificações como essa fazem parte da discricionariedade do reitor, conforme atestado em análise da Advocacia-Geral da União (AGU) e parecer da Procuradoria Geral da Universidade”.

O Consun rebate, afirmando que o reitor deve cumprir e fazer cumprir as deliberações do Conselho Universitário. E que ele tem o poder de vetar as resoluções deliberadas em cinco dias, o que Bulhões não fez.

Na última sexta-feira, uma reportagem revelou documento no qual a vice-reitora enumera supostos indícios de que Bulhões também desrespeitou o edital do Vestibular 2020/1 ao avalizar um recurso de matrícula apresentado por meio de atestado por um aluno que perdeu a data da matrícula por motivos de saúde.

Bulhões afirmou que todas as ações relacionadas ao vestibular ocorreram dentro das regras previstas no edital e que o caso referido envolveu um estudante regularmente aprovado no concurso vestibular, que passou por um evento de natureza médica grave.

“Motivação ideológica”

Por meio de nota, o reitor argumenta que a motivação do conselho é “simplesmente por questões ideológicas”. Ele também nega que tenha cometido qualquer infração.

A favor de Bulhões está o fato de que, mesmo com o poder de decidir pelo afastamento do reitor, o Conselho Universitário precisa da aprovação do Ministério da Educação e de mais um personagem decisivo nesse impasse: o próprio presidente Jair Bolsonaro.

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