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23% das mortes por coronavírus no mundo ocorreram na Índia

(Foto: Reprodução)

A Índia registrou nesta sexta-feira (30) o oitavo recorde mundial de casos confirmados de Covid-19 nos últimos nove dias, segundo dados do governo e do “Our World in Data”. Foram 386.452 infectados e 3.498 mortes em 24 horas. Com mais de 2,5 milhões casos e 21 mil mortes nos últimos sete dias, o país foi responsável por 43% de todos os novos infectados e 23% de todos as óbitos do planeta no período.

Em meio à segunda onda na Índia, o mundo superou os 150 milhões de casos confirmados, apontam dados da Universidade Johns Hopkins e do “Our World in Data”, projeto ligado à Universidade de Oxford.

O segundo país mais populoso do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, passa por um colapso em seu sistema de saúde e funerário, sofre com uma vacinação ainda lenta e o governo tem sido criticado pelo combate à pandemia.

Caos nos hospitais

Hospitais estão sem remédios e oxigênio, e parentes são obrigados a comprar os cilindros para os internados. Sem leitos, doentes aguardam em ambulâncias, em carros particulares e até na rua por uma vaga.

Os preços dos insumos dispararam no mercado negro, e atravessadores vendem oxigênio até na porta dos hospitais. Desesperados, muitos compram remédios de procedência duvidosa e suprimentos a preços exorbitantes. Também há diversos relatos de golpes.

“Não achamos oxigênio”, relata Mukesh Kashyap, que havia acabado de incinerar sua esposa de 38 anos. “Fomos aos maiores hospitais particulares da cidade e finalmente um pequeno hospital me fez pagar € 55 por uma hora de oxigênio [mais de R$ 350]”.

Arrasado, Kashyap afirmou que ela melhorava com o oxigênio. “Mas depois os sintomas voltaram. Tentamos achar um leito, mas ela não resistiu. Os médicos não puderam salvá-la”.

Crematórios no limite

Crematórios e cemitérios não conseguem atender à quantidade de corpos, e funerais em massa têm sido realizados em diversas cidades. As cerimônias feitas sob o protocolo da Covid-19 são muito superiores aos dados do governo.

Em Nova Délhi, o número de cremações aumentou cinco vezes. A prefeitura da capital está tentando aumentar a capacidade dos locais construindo incineradores até na grama, do lado de fora dos estabelecimentos.

Com o sistema de saúde em colapso, muitos infectados morrem em casa e não entram para a estatística oficial.

Críticas ao governo

A segunda onda saiu completamente de controle no país após o governo indiano ter falado em “fase final da pandemia” em março e ter flexibilizado as medidas de restrição, liberando comícios, festivais religiosos e até partidas de críquete com estádios lotados.

O governo indiano tem atribuído a explosão de casos e mortes ao não uso de máscaras pela população e ao desrespeito ao distanciamento social. E pediu ao Twitter recentemente que tirasse do ar dezenas de posts com críticas ao governo. Especialistas apontam como causas também a nova variante e o próprio governo. As informações são do portal de notícias G1.

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