A pesquisa do instituto Ibope divulgada no início desta semana não apontou somente as intenções de voto do eleitorado para o segundo turno da disputa para a Presidência da República, que tem como candidatos Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). O levantamento também conferiu a opinião dos entrevistados sobre os presidenciáveis, apontando os índices de rejeição e certeza do voto.
Para medir os índices, o Ibope perguntou: “Para cada um dos candidatos a Presidente da República citados, gostaria que o(a) sr(a) dissesse qual destas frases melhor descreve a sua opinião sobre ele”. Na sequência, o entrevistado apontava se “com certeza votaria nele”, “poderia votar nele”, “não votaria nele de jeito nenhum”, “não o conhece o suficiente para opinar”. Os resultados totais foram:
Jair Bolsonaro
– Com certeza votaria nele para presidente: 41%;
– Poderia votar nele para presidente: 11%;
– Não votaria nele de jeito nenhum: 35%;
– Não o conhece o suficiente para opinar: 11%;
– Não sabem ou preferem não opinar: 2%.
Fernando Haddad
– Com certeza votaria nele para presidente: 28%;
– Poderia votar nele para presidente: 11%;
– Não votaria nele de jeito nenhum: 47%;
– Não o conhece o suficiente para opinar: 12%;
– Não sabem ou preferem não opinar: 2%.
O Ibope ouviu 2.506 eleitores nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. Isso significa que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o protocolo BR-01112/2018. Os contratantes foram o jornal “O Estado de S. Paulo” e a Rede Globo.
Estratificação
A pesquisa também mostra que a maioria do eleitorado do País identifica Bolsonaro como o principal representante dos interesses dos ricos, dos bancos, agricultores e dos empresários no segundo turno, enquanto Haddad é o mais associado à defesa dos pobres, dos trabalhadores e das mulheres.
O Ibope perguntou aos entrevistados “quem representa melhor os interesses” de uma série de setores. Em relação aos ricos, 65% responderam Bolsonaro, ante 22% de Haddad. Entre os eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos, o presidenciável do PSL é visto por 70% como representante da elite.
Já o candidato do PT lidera como defensor dos interesses dos eleitores de menor poder aquisitivo, com 48% a 37% de Bolsonaro. No segmento com até um salário mínimo de renda, o porcentual atribuído a Haddad chega a 62%. O petista também é considerado melhor representante dos aposentados, 44% a 39% – neste quesito, 9% não enxergaram representante na disputa.
O Ibope avaliou a imagem dos candidatos como defensores dos seguintes temas: agricultura (42% Bolsonaro ante 40% de Haddad), defesa do meio ambiente (40% Bolsonaro e 39% para Haddad), aposentados (39% para Bolsonaro, 44% para Haddad) e jovens (46% Bolsonaro, ante 39% de Haddad).
Essas diferenças de imagem também se manifestam em relação à defesa dos empresários, dos bancos e dos trabalhadores. De acordo com o Ibope, Bolsonaro é considerado pela maioria um defensor dos interesses do empresariado (65%) e dos bancos (54%), enquanto seu rival Haddad é mais relacionado a pautas dos trabalhadores (47%).
O perfil de cada candidato indicado pela pesquisa vai ao encontro do resultado da votação do primeiro turno. Enquanto o capitão reformado liderou em cidades com índice de desenvolvimento mais alto, ou seja, mais ricas, o petista teve o eleitorado concentrado em municípios com IDH menor. Historicamente, o voto antipetista se concentra mais entre eleitores brancos, mais escolarizados e de renda mais alta.
Com a rejeição maior a Bolsonaro entre o eleitorado feminino, Haddad é visto pela maior parte como o principal representante dos interesses das mulheres: 48% têm essa imagem do petista, ante 37% do PSL.
