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57 apartamentos de luxo em Balneário do Camboriú teriam sido vendidos pelo grupo criminosos PCC

Gestora Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, da PF, por suspeita de negócios com o PCC. (Foto: Divulgação)

Um grupo de proprietários em um edifício em Balneário Camboriú entrou com uma ação na Justiça, no início do mês, para que fossem desconsideradas deliberações determinadas a partir de uma assembleia de condomínio da torre residencial The Spot One, em junho. Isso porque a incorporadora AJ Realty Desenvolvimento Imobiliário votou como se ainda fosse dona de 57 apartamentos que anunciara ter vendido meses antes – e, com esses votos, garantiu a aprovação de suas propostas na assembleia.

Por trás da disputa, que aparentemente oporia apenas a incorporadora AJ Realty aos condôminos, está o fato de que os 57 apartamentos (com 65 vagas na garagem) haviam sido vendidos para um fundo administrado pela Reag Trust e gerido pela Reag Wealth Management, por R$ 126 milhões, em janeiro. Mas os imóveis jamais foram transferidos para o novo proprietário.

A Reag foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto, que investiga o uso de fundos e gestoras para lavagem de dinheiro pelo crime organizado

Em outubro, a gestora Arandu WM, criada por sócios que eram ex-empregados da Reag, adquiriu uma fatia da Reag, incluindo a área de investimentos, da qual faz parte o fundo. Procurada, a Arandu WM disse não ter vínculo nenhum com a Reag e seus sócios, e que os investimentos feitos no empreendimento não têm nenhuma relação com a operação Carbono Oculto.

Lavagem de dinheiro

Apesar de a Arandu desvincular sua operação da Reag, João Carlos Mansur, presidente da Reag Investimentos e do conselho de administração da Reag Holding, concedeu várias entrevistas sobre a aquisição dos apartamentos do The Spot One.

Nas investigações do Ministério Público de São Paulo, Mansur é considerado um dos principais suspeitos de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de fundos. Procurado, Mansur não se pronunciou.

À época dos investimentos, a Reag WM usava a mesma estrutura de compliance (que garante a conformidade com as melhores práticas) e processo de know your costumer (termo em inglês que se refere a procedimentos de identificação do cliente e da origem dos recursos, determinados por diferentes órgãos reguladores) da Reag.

A AJ Realty afirmou que “sempre foi a titular das propriedades dos respectivos apartamentos”. Em seu site, a AJ informa que o The Spot One tem 114 apartamentos com duas suítes, entregue em fevereiro de 2024 e “totalmente vendido”.

Segundo a AJ Realty, em 13 de outubro, logo após as investigações da Carbono Oculto virem à tona, a empresa rescindiu o compromisso de compra e venda, firmado em janeiro com a Reag WM. A Arandu afirma que o distrato ocorreu em comum acordo.

Apesar de reportagens publicadas à época afirmarem que os R$ 126 milhões haviam sido pagos à vista, a AJ Realty não informou se houve multa ou devolução do valor, pelo fato de as informações do contrato serem confidenciais.

Porém, a Arandu afirmou que o valor não foi pago à vista, mas de maneira parcelada, como se pode auferir pelo fato de as matrículas dos imóveis ainda estarem alienadas.

Assim que a Carbono Oculto foi deflagrada, o valor dos aluguéis obtidos pelo fundo foi zerado. No informe mensal disponibilizado pelo fundo The Spot One à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto, por exemplo, a conta a receber por aluguéis era de R$ 3,6 milhões. Segundo a Arandu, o valor voltou ao próprio fundo, já que o pagamento da renda mínima garantida (RMG) é trimestral.

Segundo pessoas próximas aos proprietários dos imóveis, que pedem para não serem identificadas, o movimento no condomínio em agosto foi baixo e incompatível com o valor apresentado à CVM como aluguel. Com informações de O Estado de S. Paulo.

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