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58% das pessoas acreditam que a ciência será mais valorizada após a pandemia

Entrevistados foram questionados se concordam ou não com a frase: "Depois da pandemia a ciência será mais valorizada."(Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz)

A maioria dos entrevistados pela pesquisa Ibope encomendada pelo jornal O Globo para medir a reação dos brasileiros ao surto de Covid-19 acredita que a ciência será mais valorizada após a pandemia: 58% concordam com a afirmação.

Entrevistados foram questionados se concordam ou não com a frase: “Depois da pandemia a ciência será mais valorizada.” Veja as respostas totais e por escolaridade:

58% concordam com a afirmação. 21% não concorda nem discorda e 16% discordam. Outros 4% não sabem. A pesquisa feita com 2.626 internautas entre os dias 21 e 31 de agosto. O nível de confiança do levantamento é de 95% dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Ligia Bahia, especialista em saúde pública da UFRJ e colunista do jornal, aponta um consenso: não há grandes variações considerando recortes por sexo, idade, renda ou posição política.

Ela observa que, mesmo em um país polarizado como o Brasil, ao menos neste assunto há pouca diferença de opinião comparando-se os espectros políticos. Os que creem na valorização da ciência são 66% entre os que se dizem de esquerda, 64% dos entrevistados de centro e 57% entre quem se declara de direita.

“O que chama a atenção é a forte coerência interna dos dados. A maioria apoia a ciência e isso não está influenciado por grupo social ou etário”, afirma Bahia. “O governo e suas políticas para educação, tecnologia e inovação está de costas para essa maioria.”

Corte no orçamento

O projeto de lei orçamentária enviado pelo governo ao Congresso prevê um corte de 31,7% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

A verba proposta para a pasta em 2021 é de R$ 8 bilhões, contra R$ 11,8 bilhões prevista para este ano, quando houve dificuldade para o pagamento de bolsas. Na avaliação da professora da UFRJ, o Brasil está “queimando pontes”.

“A gente construiu uma infraestrutura de laboratórios, virologia, plantas industriais. Em algumas áreas não estamos longe de outros países. Mas, se não aumentarmos o investimento, vamos ficar para trás. Há um forte aporte de dinheiro mundial nisso enquanto aqui é bolsa cortada”, diz Bahia.

Presidente do Instituto Questão de Ciência e colunista do O Globo, Natália Pasternak afirma que a valorização da ciência precisa vir acompanhada de um melhor “letramento científico” da população.

“As pessoas precisam entender o que é ciência e o que não é. Qual é a ciência que investiga a vacina e a que defende a cloroquina”, diz Pasternak. “O risco é que ciência venha ser usurpada por movimentos anticientíficos e pseudocientíficos que se fingem de ciência. Vão usurpar para dizer: ‘Eu sou ciência. Acredite em mim’. Se não houver esse letramento, vai ter um risco de não haver essa distinção.”

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