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92% da população global será afetada direta ou indiretamente pelo câncer ao menos uma vez na vida, alerta a Organização Mundial da Saúde

O câncer deve impor uma pressão cada vez maior aos sistemas de saúde nas próximas décadas. (Foto: Reprodução)

O câncer deve impor uma pressão cada vez maior aos sistemas de saúde nas próximas décadas. Em seu novo Global Status Report on Cancer 2026, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a entidade projeta que o número de novos casos chegará a 35 milhões por ano até 2050 e alerta que apenas 12 países estão no caminho para cumprir a meta global de reduzir as mortes prematuras pela doença até 2030.

Segundo o relatório, cerca de uma em cada cinco pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida. Quando também são considerados os impactos sobre familiares próximos e cuidadores, aproximadamente 92% da população mundial será afetada direta ou indiretamente pela doença em algum momento.

A OMS afirma que, embora avanços importantes tenham sido alcançados na prevenção e no tratamento, as desigualdades entre países continuam determinando quem sobrevive ao câncer. Em muitas regiões, o acesso ao diagnóstico precoce, à radioterapia, aos medicamentos e aos cuidados paliativos permanece insuficiente, especialmente nos países de baixa e média renda.

Em 2024, foram registrados 20,6 milhões de novos casos de câncer no mundo (19,5 milhões, excluindo os cânceres de pele não melanoma). Mantida a tendência atual, esse número deverá aumentar cerca de 70% nas próximas décadas, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo crescimento demográfico e pela persistência de fatores de risco evitáveis.

Para o oncologista Stephen Stefani, o crescimento da incidência do câncer é resultado de uma combinação de fatores demográficos e comportamentais, especialmente do envelhecimento da população e da exposição prolongada a fatores de risco.

“Como a população que vem envelhecendo e sobrevivendo a doenças, a epidemiologia do crescimento estatístico do câncer tem sido sustentadamente comprovada. A conta biológica que estamos pagando pela exposição a fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, padrão alimentar inadequado, exposição exagerada ao sol… está chegando e vai aumentar.”

O relatório apresenta novos dados sobre câncer de mama e câncer infantil que evidenciam a disparidade global.

Nos países de alta renda, onde os tumores costumam ser identificados mais cedo e o acesso ao tratamento é maior, a sobrevida líquida em cinco anos supera 85%. Já nos países de baixa renda, esse índice fica abaixo de 45%.

A OMS também destaca que o câncer vem assumindo um peso crescente entre as causas de morte precoce no mundo.

Em 2021, a doença foi a principal causa de mortalidade prematura em 41 países, a segunda principal em 37 países e a terceira em 47 países. Apesar das metas globais estabelecidas para reduzir essas mortes, apenas 12 países estão atualmente no caminho para atingir, até 2030, a redução de um terço da mortalidade prematura por câncer. Em contrapartida, 48 países apresentam aumento dessas taxas.

Segundo Stefani, as diferenças observadas pela OMS refletem tanto a capacidade dos sistemas de saúde quanto o acesso às tecnologias mais modernas. “A OMS chama atenção para um fator que é muito nítido… o local onde a pessoa nasceu e as condições do sistema de saúde do país em acolher e manejar adequadamente o câncer varia enormemente.”

O especialista ressalta que essas desigualdades também existem dentro de um mesmo país e são agravadas pela dificuldade de acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento adequado e às novas terapias, muitas vezes indisponíveis devido ao alto custo.

O documento ressalta que os efeitos do câncer não se limitam ao tratamento da doença.

A OMS realizou uma pesquisa global sobre a experiência de pessoas afetadas pelo câncer e constatou que o diagnóstico costuma provocar consequências emocionais, financeiras e sociais prolongadas.

Entre os participantes da pesquisa:

– mais da metade relatou problemas relacionados à saúde mental;

– pelo menos 45% disseram ter enfrentado dificuldades financeiras;

– praticamente todos os cuidadores relataram algum tipo de sobrecarga, como trabalho não remunerado, isolamento social ou luto prolongado.

Segundo o relatório, aproximadamente metade dos pacientes e de suas famílias enfrenta gastos catastróficos com saúde, mesmo em países que possuem cobertura universal. Além dos custos médicos, pesam despesas indiretas, como perda de renda, transporte e cuidados com crianças.

A OMS estima ainda que, entre 2020 e 2050, o impacto econômico global do câncer seja equivalente a um custo anual de aproximadamente 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

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