Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de maio de 2021
A América Latina não apenas deve aumentar a produção em toda a cadeia de valor das vacinas, mas também apostar na "promessa" de tecnologias
Foto: ReproduçãoA América Latina deve expandir sua capacidade de produzir vacinas e apostar em tecnologias promissoras, como a do RNA mensageiro, usadas nos imunizantes Pfizer e Moderna, sugeriu nesta quarta-feira (19) a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
“Ampliar a capacidade da América Latina e do Caribe de fabricar vacinas é uma necessidade tanto para a nossa população quanto por questão de segurança sanitária”, declarou em entrevista coletiva a diretora da Opas, Carissa Etienne, que destacou a “forte redução” das infecções, internações e mortes por Covid-19 nos Estados Unidos, que atribuiu à alta porcentagem da população vacinada.
Carissa pediu que a distribuição de vacinas no continente seja ampliada. A maioria das doses aplicadas nas Américas corresponde aos Estados Unidos, enquanto apenas 3% dos latinos estão imunizados. “Os abismos flagrantes no acesso às vacinas contra a Covid na região são um sintoma da dependência excessiva das importações de produtos médicos.”
A “promessa” do RNAm
A diretora da Opas mostrou otimismo em relação à capacidade regional de ampliar a produção e assinalou que Brasil, Argentina, Cuba e México já possuem unidades para a fabricação de vacinas, algumas das quais estão sendo usadas para produzir o imunizante AstraZeneca. Mas Carissa pediu um avanço maior.
A América Latina não apenas deve aumentar a produção em toda a cadeia de valor das vacinas, mas também apostar na “promessa” de tecnologias como a do RNAm, “mais novas e caras”, mas com possibilidades de aplicação além da Covid, indicou a diretora, ressaltando que a Opas já trabalha com a OMS para a transferência de tecnologia da vacina de RNAm e negocia com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e a OEA (Organização dos Estados Americanos) para garantir recursos e apoio aos países que desejam expandir sua capacidade de produção.
Chile, Argentina e Peru já mostraram interesse. Segundo Carissa, é necessária uma cooperação regional para garantir uma escala que torne a produção sustentável, o compromisso de compras regionais e uma garantia de que os produtos irão circular sem restrições de exportação, inclusive durante emergências.
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