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Operador que levou Vorcaro ao Planalto eleva capital de empresa em R$ 700 milhões

Segundo o relato atribuído ao ex-banqueiro, o grupo teria discutido a captação de recursos de entidades como Previ, Petros e Postalis. (Foto: Reprodução)

O empresário Júlio Cezar Miranda, apontado como operador em um suposto esquema de pagamento de propinas envolvendo o grupo do ministro Alexandre Padilha, elevou o capital social de sua empresa, a Exclusivo Participações, de R$ 10 mil para R$ 770,3 milhões. A alteração foi registrada em junho na Junta Comercial de São Paulo.

A mudança elevou o capital social da companhia em aproximadamente R$ 770,3 milhões. Antes da alteração, o valor registrado era de R$ 10 mil. Com a operação, a empresa passou a ter capital social de R$ 770.343.156. Na mesma data, houve transferência de quotas para outra empresa administrada por Júlio Cezar e transformação da sociedade limitada em sociedade anônima de capital fechado.

A Exclusivo Participações está registrada na Receita Federal como uma holding de instituições não financeiras. Entre as atividades econômicas declaradas estão serviços combinados de escritório e apoio administrativo. Segundo informações levantadas pela reportagem, Júlio Cezar também passou a ocupar o cargo de diretor da companhia.

O empresário ganhou destaque nas investigações sobre as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com integrantes e interlocutores do governo federal. Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República indicam que Júlio acompanhou Vorcaro em pelo menos duas reuniões no Palácio do Planalto, em 2024.

Uma das visitas ocorreu em 1º de março daquele ano. Os registros de entrada mostram que Vorcaro e Júlio Cezar se identificaram na portaria do palácio no mesmo minuto, às 14h33. Na proposta de delação premiada apresentada posteriormente, o ex-banqueiro relatou que participou de uma conversa com Alexandre Padilha, então ministro das Relações Institucionais, e outros interlocutores.

Vorcaro também descreveu encontros reservados com Júlio Cezar e outras pessoas para tratar de possíveis negócios relacionados a fundos de pensão de funcionários de empresas e instituições públicas. Segundo o relato atribuído ao ex-banqueiro, o grupo teria discutido a captação de recursos de entidades como Previ, Petros e Postalis, mediante pagamento de comissões ilícitas.

Na proposta de colaboração, Vorcaro afirmou que o esquema poderia envolver pagamentos equivalentes a 10% dos valores captados. Também relatou um suposto pagamento inicial de R$ 500 mil, que teria ocorrido por meio de um contrato de fachada. As acusações fazem parte de declarações apresentadas às autoridades e não devem ser tratadas como fatos comprovados judicialmente.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram a proposta de delação, segundo a reportagem. A apuração sobre as relações do ex-banqueiro com agentes públicos envolve informações extraídas de seu celular e registros oficiais de acesso ao Planalto.

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