A ameaça de um ataque cibernético em plena Olimpíada, que possa comprometer a maior competição esportiva do planeta, tem mobilizado um grupo de peritos criminais brasileiros. Com o apoio da Interpol e de autoridades de Londres – país-sede em 2012 – e do Japão (anfitrião em 2020), além do Exército Brasileiro, especialistas da Polícia Federal estão montando estratégias de segurança para prevenir e combater a ação de hackers durante os Jogos Olímpicos no ano que vem.
As principais ações de defesa foram apresentadas na Conferência Integrada ICCyber, evento promovido pela Associação Nacional de Peritos Criminais Federais (APCF), em Brasília. Coordenador-geral do evento, o perito criminal federal especialista em informática, Evandro Lorens, acredita que a troca de experiências entre os países ajuda a minimizar os riscos do ciberterrorismo.
“O mundo inteiro estará olhando para o Brasil, e tudo terá que funcionar perfeitamente. O maior desafio é que hoje somos totalmente dependentes da comunicação virtual. Se houver interrupção ou alteração do sistema será o caos nos Jogos Olímpicos”, alerta Lorens.
Segundo ele, as principais ameaças à segurança do evento são falsificação de documentos, uso indevido de imagens, venda irregular de produtos e ingressos e ataques de hackers. “O maior perigo são as fragilidades do sistema e os ataques que ainda não são conhecidos. Será uma questão de vida ou morte, para que nada saia errado”, diz. O especialista explica que a investigação cibernética enfrenta particularidades técnicas como o fato de o criminoso se manter anônimo e usar mensagens criptografadas para dificultar sua captura.
Somado a isso, a polícia precisa atuar em cooperação com órgãos de outros países, já que os hackers agem em escala internacional. De acordo com a ONG Safernet Brasil, em nove anos de atuação foram recebidas 3,6 milhões de denúncias de crimes e violações praticadas na internet, sendo a principal a pornografia infantil.
