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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária vetará a exportação de hidroxicloroquina

Recentemente, houve bastante especulação sobre uma possível saída de Mandetta (D) do cargo. (Foto: Divulgação)

Iniciativas adotadas em alguns estados de obrigar a verificação de temperatura em aeroportos contra o novo coronavírus não têm comprovação científica e podem levar a população a relaxar em prevenção, afirmou o diretor-presidente substituto da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres.

Segundo ele, o órgão poderá acionar a Justiça caso a medida seja aplicada em área reservada à atuação da agência nos aeroportos.

Para Barra, novas medidas restritivas não podem ser descartadas, mas devem ser planejadas com cautela por causa de riscos à economia e de desabastecimento.

Ele disse também que a agência vetará a exportação de hidroxicloroquina, remédio usado para malária e alvo de testes para o coronavírus, na garantia de manter o fornecimento do produto. Também passará a exigir retenção de receita para venda em farmácia.

As drogas poderão ser alvo de testes para o novo coronavírus e já sumiram das prateleiras de farmácias pelo país, apesar da falta de evidências robustas sobre sua eficácia para tratar Covid-19.

Antonio Barra Torres responde

Alguns governadores têm começado a anunciar medidas em aeroportos, como verificação de temperatura e até fechamento dos aeroportos. Como vê essa questão? Temos de ver com tranquilidade e senso crítico. Qual o país que hoje no mundo pode se fechar completamente aos voos internacionais? Acho que não existe.

A questão da restrição hermética, ninguém entra e ninguém sai, acaba sufocando a economia daquele local, de um estado ou de um país, e o que seria a ameaça do coronavírus acaba sendo menos perigoso do que uma ameaça de fome ou de falta de cloro para colocar na água de um estado.

Os governadores estão preocupados e há vontade de contribuir para evitar uma propagação maior, mas tem que ser bem analisado para evitar isolar um setor.

O governo também definiu recentemente o fechamento de fronteiras terrestres, algo que a Anvisa descartava. O que mudou? A Anvisa nunca descartou nada. Qual a hora de isso acontecer? Isso varia de país para país.

Em relação às fronteiras, foi uma situação que evoluiu rapidamente. Começou com a fronteira da Venezuela. Na sequência veio o fechamento das fronteiras terrestres pela progressão da epidemia. A Anvisa assessorou nesses casos. O parecer foi técnico.

Existe uma avaliação da Anvisa sobre a necessidade de outras medidas restritivas? Em um momento de curto e médio prazo, não pensaria em nenhuma outra. Um hermetismo do fechamento não deixa entrar medicamento oncológico nem o fígado que foi doado para transplante. ‘Ah, mas restringe só o de passageiro, e não restringe o de carga.’ Mas avião de passageiro também traz carga, e cargas prioritárias. Se você perguntar: ‘É possível?’. Possível, tudo é. Mas provável, não. Precisamos muito de insumos que vêm de fora.

O sr. cita o risco de desabastecimento de insumos. O que preocupa hoje? São vários itens. Os respiradores mecânicos de UTIs foram desde o início uma preocupação nossa pela evolução da doença.

Há itens que ainda geram preocupação? Sim. Houve uma notícia de que a cloroquina seria útil para a Covid-19. A FDA [agência de regulação dos Estados Unidos] diz que não há estudos conclusivos sobre eficácia, qualidade e segurança. Parece ser promissor, mas vários estudos ainda são necessários.

Mas, com a notícia, a população correu para a farmácia e comprou grandes quantidades. A cloroquina é usada para tratamento de malária, lúpus, artrite e doenças reumáticas, e quem precisa hoje chega à farmácia e não tem. Estamos contendo a exportação da cloroquina.

Como garantir que não vendam a quem não é indicado? Vamos colocar receita com retenção. Vamos cobrar receita branca, em duas vias, como é para antibiótico.

A Anvisa aprovou testes rápidos para o coronavírus. Ao mesmo tempo, laboratórios citam preocupação com insumos para produção de kits. Como está essa questão? É óbvio que tem gargalo, mas estamos atuando para evitar que a linha produtiva seja comprometida.

O sr. é considerado muito próximo do presidente Jair Bolsonaro. Recebeu algum pedido dele neste momento do coronavírus de medidas extras a serem avaliadas? Não. O único pedido foi de que me dedicasse à agência integralmente como foi quando eu trabalhei na Marinha.

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