Membros da bancada evangélica se sentem “contemplados” com a escolha do colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, de linha conservadora, para ministro da Educação no governo Bolsonaro. “Excelente nome. Não é uma pessoa próxima de mim, vi ele algumas vezes aqui no Rio. Não é da minha rede de amizades. Nós não queremos esquerdistas lá, só isso”, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ).
Takayama (PSC-PR), líder da frente evangélica, disse que a escolha de Ricardo Vélez é “mais uma prova de que a frente não interfere nas escolhas do presidente”. “Já disse e repito: Nosso apoio ao Bolsonaro é por vinculação de princípios. Pode ter certeza de que é um excelente nome, ligado à Educação. De 1 a 100, dou 100 a Bolsonaro pela escolha do nome. Não o conheço pessoalmente, mas seu currículo é notável na área do ensino”, disse.
O deputado Marco Feliciano (PODE-SP) também afirmou que confia na escolha do presidente eleito e acredita que seja um bom nome, apesar de não conhecer Vélez e suas ideias.
Insatisfação
Em um primeiro momento, o nome de Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna, circulava na imprensa nesta quarta-feira e foi duramente criticado por evangélicos. A insatisfação foi exteriorizada por Sóstenes e outros deputados à equipe de transição.
Neves não mostrou ter compromisso com o movimento Escola sem Partido, que prega o fim de uma suposta doutrinação ideológica esquerdista nas escolas e universidades.
A demanda dos evangélicos é, principalmente, que não fosse escolhido nenhum nome de esquerda. Bolsonaro decidiu não seguir com a primeira opção dos religiosos, Guilherme Schelb, procurador regional da República que tinha o aval de Silas Malafaia. Optou por uma indicação feita pelo filósofo de direita Olavo de Carvalho.
Em sua conta do Facebook, em 15 de outubro, Olavo de Carvalho disse: “Quem tem de ser ministro da Educação não sou eu: é o Ricardo Vélez Rodriguez.” Olavo publicou recentemente um vídeo criticando o movimento Escola sem Partido. Disse que seus defensores “não entendem nada de combate cultural”, e que uma lei para proibir doutrinação é a ilusão de uma “solução mágica” para combater ideias esquerdistas.
Valores
Ricardo Vélez Rodriguez divulgou carta nesta sexta-feira em que diz que fará uma gestão focada em valores tradicionais e preservação da família. “Pretendo colocar a gestão da Educação e a elaboração de normas no contexto da preservação de valores caros à sociedade brasileira, que, na sua essência, é conservadora e avessa a experiências que pretendem passar por cima de valores tradicionais ligados à preservação da família e da moral humanista.”
Segundo ele, a solução para que a educação brasileira tenha “destaque no contexto internacional” é uma política educacional que “olhe para as pessoas”. Por isso, Rodriguez defende dar mais força aos municípios, “onde elas residem”.
Ele não deixa claro que tipo de medida seria necessária para melhorar a qualidade da educação e nem qual aproximação seria feita da União com as cidades. Atualmente, os municípios são responsáveis pela educação infantil e fundamental. As escolas de ensino médio ficam com os Estados. O Ministério da Educação tem um papel de fazer políticas e dar apoio a Estados e municípios, além de cuidar do ensino superior.
