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A Bolsa brasileira acumula alta de 15,3% desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro à Presidência, em agosto, enquanto o dólar recuou 2% no período

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou a sexta-feira (23), último pregão antes da eleição, aos 205.082 pontos. (Foto: Freepik)

A Bolsa brasileira acumula alta de 15,3% desde a confirmação das candidaturas à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em agosto, enquanto o dólar recuou cerca de 2% no período, em meio a apostas dos investidores numa mudança no poder com a eleição do senador.

Agora, a euforia dos investidores dá lugar à cautela em relação a como os ativos devem reagir ao resultado das urnas, em uma disputa acirrada que pode influenciar o rumo dos ativos brasileiros nas próximas semanas.

Analistas veem espaço para uma nova rodada de valorização em caso de vitória de Flávio, mas avaliam que parte desse cenário já está incorporada aos preços, após a reação positiva dos ativos quando o senador assumiu a dianteira no primeiro turno. Uma reeleição de Lula, por outro lado, pode provocar uma correção dos ganhos recentes, diante das incertezas sobre a trajetória das contas públicas.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou a sexta-feira (23), último pregão antes da eleição, aos 205.082 pontos, ante 178.000 pontos em 3 de agosto, dia seguinte à convenção do PT que confirmou a candidatura de Lula. No mesmo período, o dólar passou de R$ 5,087 para R$ 4,989.

A reação dos ativos se intensificou no pregão seguinte ao primeiro turno, quando os juros futuros despencaram, o dólar recuou para perto de R$ 5 e a Bolsa disparou, fechando pela primeira vez na história acima dos 200 mil pontos, depois que Flávio saiu da votação com uma vantagem sobre Lula maior que a esperada .

Um levantamento do Citi com 73 gestores de fundos de ações e multimercados mostra a diferença entre as previsões para cada cenário. Em caso de vitória de Flávio, 49,3% dos entrevistados esperam alta superior a 5% do Ibovespa, enquanto 48% projetam valorização de 1% a 5%.

No câmbio, 78,1% dos gestores esperam valorização do real de 2% a 5% ante o dólar. Já em caso de vitória de Lula, 80% projetam queda superior a 5% da Bolsa, e 63% esperam desvalorização do real acima de 5%.

Para Ricardo Pompermaier, estrategista-chefe da Davos Investimentos, uma vitória de Flávio tende a dar continuidade à melhora dos ativos brasileiros observada após o primeiro turno, com queda dos juros futuros e valorização da Bolsa, impulsionadas pela expectativa de ajuste fiscal.

O espaço para valorização do real, porém, seria mais limitado pelo cenário externo. Em caso de reeleição de Lula, Pompermaier prevê uma reação negativa, com abertura da curva de juros, queda da Bolsa e alta do dólar, diante da menor expectativa de ajuste das contas públicas.

Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, afirma que o dólar ainda pode cair em caso de vitória de Flávio, embora parte do movimento já tenha ocorrido após o primeiro turno. Se Lula for reeleito, porém, a correção dos ativos pode ser mais intensa do que os ganhos recentes, diante da surpresa negativa para investidores que esperam uma mudança na condução da política fiscal.

“Acho que existe uma chance de ter uma correção muito mais forte se o Lula ganhar, uma reação que vai pegar o mercado bem de surpresa”, diz.

Na Bolsa, uma vitória de Flávio poderia favorecer tanto a entrada de investidores estrangeiros quanto a de brasileiros, cuja participação na alta das ações após o primeiro turno foi menor, segundo Veronese. Passada a reação inicial, porém, o mercado deve avaliar a composição da equipe econômica, as medidas anunciadas e a viabilidade de implementação das promessas de cortes.

Apesar da valorização recente, ainda pode haver espaço para uma nova rodada de alta dos ativos brasileiros caso Flávio vença a eleição, diz Luccas Fiorelli, planejador financeiro CFP pela Planejar. Segundo ele, parte dos ganhos foi devolvida nas últimas semanas, à medida que as pesquisas eleitorais passaram a apontar uma disputa mais apertada.

A reação positiva, contudo, tende a ser menor que a observada após o primeiro turno, quando o Ibovespa subiu 7,7% em um único pregão e o dólar caiu cerca de 4%, diz Fiorelli.

Para o especialista, o movimento pode ocorrer em etapas: uma primeira após a confirmação do resultado eleitoral e outra entre novembro e dezembro, com o anúncio da equipe econômica e o detalhamento das medidas fiscais. Entre os ativos que poderiam se beneficiar estão as chamadas small caps, ações de empresas menores e mais sensíveis à economia doméstica, além de companhias favorecidas pela redução dos juros. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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