A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, liderada pelo Partido Democrata, aprovou neste sábado (22) o fornecimento de US$ 25 bilhões aos Correios, além do bloqueio de políticas que geraram preocupações sobre a votação por correspondência nas eleições de 3 de novembro.
A lei , chamada de “Delivering for America” (Entregando pela América), foi aprovada por 257 votos a favor e 150 contra, contando inclusive com o apoio de alguns republicanos, em uma rara sessão de sábado convocada pela presidente da Casa, Nancy Pelosi, durante o recesso de agosto.
Mas é improvável que a proposta seja chancelada pelo Senado, controlado pelo Partido Republicano, do presidente Donald Trump.
A votação por correspondência deve crescer durante a pandemia de coronavírus, e Trump alarmou os democratas ao denunciar repetidas vezes essa prática como uma possível fonte de fraudes, embora não apresente argumentos que fundamentem essa preocupação – o próprio presidente, inclusive, costuma usar o sistema para votar.
Recentemente, o diretor-geral dos Correios, Louis DeJoy, que é próximo de Trump, voltou atrás de uma série de reformas no sistema postal americano após pressão — inclusive judicial — de democratas. Apoiadores do candidato Joe Biden, efetivado na quinta-feira pelo partido de oposição, alegam que as medidas de corte de gastos dos correios atrasariam a contagem dos votos por correspondência.
“Essas mudanças estão causando grandes atrasos, relatados ao redor do país, ameaçando a eficiência dos Correios e minando nossa democracia”, disse a deputada democrata Carolyn Maloney, autora da lei.
DeJoy afirmou a um comitê do Senado, na sexta-feira (21), que os Correios entregariam as cédulas eleitorais “com segurança e no prazo” durante a eleição de novembro, mas afirmou que mudanças maiores poderiam acontecer depois disso.
Os democratas insistem que a medida do Congresso é necessária. “Não podemos confiar nesta administração. Ponto final”, disse o presidente do Comitê de Regras da Câmara, Jim McGovern, em uma audiência que estabeleceu os parâmetros para a votação de sábado.
Segundo a Reuters, a Casa Branca afirmou na sexta-feira que se opõe fortemente à lei e que recomendaria que Trump a vetasse.
