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A campanha eleitoral mais curta deve testar o poder da TV nas eleições deste ano

Programas do horário gratuito variam de 5 segundos a 5 minutos e meio. (Foto: Reprodução)

Dez dias mais curta, a propaganda eleitoral na TV terá largada nesta sexta-feira e vai testar o poder desse meio de comunicação para ainda influenciar a escolha do eleitor. O formato assegura aos presidenciáveis um total de 15 programas ao longo de 35 dias. Para quem tem mais tempo, como Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB), essa é considerada a última oportunidade de crescer nas pesquisas e chegar ao segundo turno.

Estabelecida pelas coligações registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a duração dos programas que formarão o horário eleitoral gratuito varia de 5 segundos a 5 minutos e 32 segundos. Candidatos à Presidência serão expostos às terças, quintas e sábados, mesmo calendário a ser cumprido pelas emissoras de rádio.

De forma diferente das últimas eleições presidenciais, custeadas com doações de empresas e marcadas por investimentos milionários em ações de marketing, a força eleitoral da TV tem sido contraposta ao imediatismo das redes sociais, canais do YouTube e WhatsApp. As redes sociais têm sido centrais, por exemplo, na estratégia de Jair Bolsonaro (PSL).

“Como o tempo de campanha é menor, em termos relativos vai ter menos informação circulando pela TV. Ela perde um pouco de importância, enquanto a internet vira uma alternativa viável”, diz o professor de ciência política da USP Glauco Peres.

A ampla exposição que Bolsonaro obtém na internet, no entanto, não se repetirá quando começar o programa eleitoral. Com apenas um aliado, o PRTB, o deputado terá direito a 8 segundos na TV e no rádio para expor seu nome e o número de seu partido. Em contrapartida, Alckmin aposta todas suas fichas nos mais de cinco minutos a que terá direito em cada um dos dois bloco fixos por dia para sair da indesejada quarta posição.

Alckmin X Bolsonaro

Auxiliares do presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, acreditam que o PT tem um lugar garantido no segundo turno da eleição. Como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava-Jato, está potencialmente impedido pela Lei da Ficha Limpa, esse candidato deverá ser o ex-prefeito Fernando Haddad. Nesse sentido, o foco das inserções de 30 segundos distribuídas pela programação deverá ser a “desconstrução” de Bolsonaro.

A campanha, porém, não consegue chegar a um consenso sobre a melhor forma de atacar o adversário. A avaliação é que temas como ditadura, armas e homofobia não colam no deputado do PSL, que contaria com o apoio incondicional do seu eleitorado. Na campanha também há divergências sobre o comportamento de Alckmin. Parte dos aliados defende que ele adote tom mais agressivo e polarize o debate com Bolsonaro.

Estratégias

Cada um com sua estratégia, os candidatos vão vender ao eleitor uma opção de mudança e novo rumo para o Brasil. Em uma eleição em que o atual presidente é escondido até por seus aliados, todas campanhas vão adotar um discurso de oposição, até mesmo Meirelles, ex-ministro da Fazenda do governo de Michel Temer. Logo no primeiro programa, vazado na internet semana passada, o emedebista optou por mostrar não Temer, mas Lula, de quem foi presidente do Banco Central.

Os programas de Marina Silva (Rede) devem seguir, por enquanto, a mesma estratégia adotada desde a última semana de focar no eleitorado feminino. As inserções começam a ser gravadas hoje em São Paulo. Se o investimento na TV não será alto, a campanha aposta nas redes sociais.

Além de suas agendas nos Estados nessa primeira semana de campanha, já foram produzidos dois vídeos de apresentação da candidata. Em um deles, a candidata é comparada à natureza e diz: “Eu vim da floresta. Sou brasileira, sou mãe, sou mulher, sou negra, sou professora, sou trabalhadora. Não desisto”.

Já no PT, a prioridade é popularizar a imagem do ex-prefeito Fernando Haddad ao lado do ex-presidente Lula. Mas há preocupação com ataques de adversários no campo da esquerda a Haddad. Eles avaliam que Ciro Gomes (PDT), Marina e talvez Guilherme Boulos (PSOL) possam atacar o ex-prefeito com o objetivo de evitar a transferência de votos de Lula para seu possível substituto e herdar parte do espólio lulista.

Por isso, o primeiro programa vai reforçar a relação de fidelidade entre Haddad e o ex-presidente. Com apenas 13 segundos por bloco no horário eleitoral de TV, Boulos também vai apostar em uma campanha integrada com as redes sociais. A estratégia é aproveitar o tempo escasso para lançar uma proposta e chamar o eleitor para ter mais informações na internet.

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