Os sintomas de crise na economia chinesa são atualmente a principal fonte de tensão internacional. É difícil estimar o tamanho real do problema, dada a opacidade das informações de um regime centralizador e sem transparência.
Sem exceção, os dados macroeconômicos, como foi o caso da produção industrial, que caiu para o seu menor patamar em seis anos, derrubando as bolsas mundiais e os preços das commodities, têm sido pior que o estimado pelo governo e os mercados. Reforçam os sinais de turbulência as intervenções do Banco Central, primeiro nas bolsas e, agora, no câmbio, apontando uma inesperada mudança de rumo. A desvalorização do yuan representa o fim de um padrão do governo chinês.
Nas crises de 1998 e 2008, Pequim manteve estável a flutuação da moeda em relação ao dólar. Buscava, assim, atrair investidores com um mercado de câmbio estável.
O yuan mais fraco sugere que Pequim agora aposta no estímulo às exportações para reativar a indústria, e por tabela, o emprego, mesmo sob o risco de provocar uma guerra cambial. Para analistas, a flexibilização do câmbio mostra que o modelo econômico das últimas décadas se esgotou, e a economia do país está mais frágil do que se estimava.
Guerra cambial
Após a crise global de 2008, as exportações chinesas perderam espaço e o governo determinou aos bancos e instituições estatais que liberassem o crédito, no que é descrito por economistas como a maior flexibilização de política monetária da história. A dívida chinesa saltou de 7 trilhões de dólares em 2007 para 28 trilhões de dólares em 2014, o equivalente a 282% do Produto Interno Bruto. E o endividamento continua crescendo.
Ao que tudo indica, a sequência de desvalorizações do yuan aponta para uma mudança estrutural na política chinesa. Em vez de tentar atrair investidores por meio de um câmbio real valorizado e estável, o governo parece apostar agora na melhora da competitividade de suas exportações. O risco de uma guerra cambial já é visível em medidas adotadas por Vietnã e Cazaquistão. (AG)
