A Coreia do Norte afirmou na sexta-feira (25) que ainda está disposta a dialogar com os Estados Unidos, um dia após o presidente americano Donald Trump cancelar uma reunião de cúpula entre os dois países. “O repentino anúncio do cancelamento da reunião foi inesperado para nós e só podemos considerá-lo extremamente lamentável”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Kim Kye-gwan, em um comunicado divulgado pela agência oficial KCNA.
“Reiteramos aos Estados Unidos a nossa disposição de nos sentar frente a frente a qualquer momento para resolver o problema”, acrescentou Kim, que não tem parentesco com o ditador Kim Jong-un. Ele afirmou ainda que o próprio ditador “também disse que uma reunião com o presidente Trump poderia representar um bom começo e dedicou esforços para prepará-los”.
Trump anunciou o cancelamento da cúpula prevista para junho com o ditador norte-coreano alegando a “hostilidade aberta” por parte do regime de Pyongyang e advertiu ao regime que evite eventuais “atos irresponsáveis”.
Em carta dirigida a Kim, Trump anunciou que não iria à reunião prevista para 12 de junho em Cingapura, depois do que a Casa Branca chamou de uma “série de promessas descumpridas” por parte da Coreia do Norte. Apesar da desistência americana, o vice-ministro norte-coreano fez um aceno ao americano em seu comunicado. “Temos em alta consideração os esforços do presidente Trump, sem precedentes por qualquer outro presidente, para criar uma histórica cúpula norte-coreana-americana”, disse.
Trump respondeu à declaração norte-coreana nesta sexta nas redes sociais e também se disse aberto ao diálogo. “Muito boa notícia receber um comunicado caloroso e produtivo da Coreia do Norte. Vamos saber em breve para onde isso vai nos levar, mas esperamos que para uma longa e próspera paz”, afirmou.
Testes nucleares
O governo da Coreia do Norte informou na quinta-feira (24) que destruiu o local utilizado para testes nucleares com uma série de explosões que foi testemunhada por jornalistas estrangeiros. A agência de notícias Yonhap, da Coreia do Sul, já tinha antecipado a informação. As explosões ocorreram em uma área que inclui três túneis e algumas torres de observação. O local, chamado de Punggye-ri, é o único usado para testes no país, de acordo com o governo, e fica em uma região isolada no meio de montanhas na Região Nordeste.
O fechamento do local tinha sido anunciado pelo ditador Kim Jong-un e visto como um gesto de boa vontade antes de seu possível encontro com o presidente americano Donald Trump. O ditador norte-coreano convidou diversos jornalistas estrangeiros para que eles testemunhassem a demolição, mas não permitiu a presença de inspetores internacionais.
A relação entre Kim e Trump, porém, piorou nos últimos dias. Também na quinta, o vice-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Norte, Choe Son-hui, chamou o vice-presidente americano de “idiota político”. Foi uma resposta a uma entrevista que Mike Pence deu na quarta-feira (23), ao canal de TV Fox News, na qual comparou o poderio nuclear de Pyongyang com o da Líbia de Muamar Kadafi. Para Choi, a declaração foi “ignorante e estúpida”.
