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A corrida pelo patrimônio oculto do banqueiro Daniel Vorcaro dentro e fora do Brasil

Dono do Banco Master está em tratativas por acordo de delação. (Foto: GAI Media)

Antigos parceiros de negócios do banqueiro preso Daniel Vorcaro contrataram empresas de espionagem privada para tentar localizar, dentro e fora do Brasil, patrimônio oculto pelo dono do Banco Master. A ideia é vasculhar ativos em nomes de laranjas, como apartamentos de luxo, mansões, além de obras de arte e ativos escondidos em bancos em paraísos fiscais como Ilhas Cayman e transações em Dubai.

Vorcaro está preso desde o início de março e agora negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Nesse tipo de procedimento, o colaborador não pode omitir fatos ou proteger personagens envolvidos, do contrário as tratativas são encerradas – e perde-se a chance de alcançar vantagens como redução da pena ou mesmo a obtenção de medidas alternativas à prisão, conforme o processo.

O banqueiro também enfrenta ações nos Estados Unidos, onde a Justiça ordenou uma devassa no patrimônio dele. Estima-se que as fraudes do Banco Master tenham totalizado uma fortuma de aproximadamente R$ 50 bilhões.

Enquanto negocia os termos de sua colaboração premiada e oferece um ressarcimento bilionário para o rombo das previdências estaduais e municipais, Vorcaro tem sinalizado que não pretende desembolsar qualquer centavo para duas instituições que foram arrastadas para o epicentro da crise do Banco Master, do qual é o dono: o Banco de Brasília (BRB) e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

De acordo com interlocutores de Vorcaro em declarações ao jornal “Valor Econômico”, o banqueiro estaria disposto a pagar uma multa de R$ 40 bilhões de reais ao longo de dez anos. Por outro lado, fontes envolvidas nas tratativas teriam revelado à colunista Malu Gaspar, de “O Globo”, que o ex-banqueiro considera que a dívida do BRB já foi superada.

Isso porque, na avaliação de Vorcaro, as fraudes nas carteiras de crédito vendidas ao banco estatal de Brasília teriam sido compensadas pelos ativos que o Master entregou quando o Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público já investigavam o caso.

Esses ativos, que o Master avaliava em R$ 21 bilhões, foram negociados pelo BRB com a gestora Quadra. Conforme um fato relevante divulgado nesta semana pelo banco, foi fechado um acordo para vender a carteira recebida do Master a R$ 4 bilhões, podendo chegar a R$ 15 bilhões – em um cenário extremamente otimista.

Discordância

O BRB, porém, discorda do argumento de Vorcaro. Antes mesmo de o banqueiro apresentar sua proposta aos investigadores, o banco acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) e pediu ao relator do caso, ministro André Mendonça, que parte da multa a ser paga no acordo de colaboração premiada seja reservada para cobrir os prejuízos que o Master provocou no banco estatal brasiliense.

A cúpula do BRB se antecipou ao fechamento das cláusulas do acordo, o que compete à PGR e à PF, mas não estipulou um valor. “O banco é vítima disso tudo”, disse ao blog um dirigente, que frisa que o escândalo provocou não apenas uma crise de liquidez e de capital, mas também de reputação.

O acordo de colaboração premiada de Vorcaro, caso seja mesmo fechado, ainda precisa ser homologado por André Mendonça para que entre em vigor. Até aqui, o ministro tem dado sinais de que vai fazer jogo duro com o banqueiro – e só vai aceitar validá-lo se Vorcaro realmente colaborar com a Justiça, entregando novos elementos que se somem ao farto material já colhido e extraído pelos investigadores após a quebra do sigilo telefônico, telemático e bancário do potencial delator. (com informações da revista Veje e jornal O Globo)

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