Ícone do site Jornal O Sul

A crise econômica avança e exige responsabilidade das autoridades

(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A situação econômica brasileira exige cada vez mais atenção e responsabilidade. Os sinais de preocupação já atingem famílias, empresas e, agora, também instituições financeiras. Diante de uma possível deterioração mais ampla, autoridades dos Três Poderes, Banco Central, Febraban, representantes do mercado financeiro, investidores e setor produtivo precisam discutir medidas concretas para preservar a economia, a credibilidade das instituições e os interesses da população.

O elevado endividamento das famílias brasileiras, a inadimplência e o número expressivo de empresas enfrentando dificuldades financeiras demonstram que parte importante da economia está pressionada. Empresas buscam recuperação judicial, outras reduzem investimentos e há grupos que transferem operações para países vizinhos em busca de custos menores e condições mais competitivas.

A preocupação aumentou com os recentes acontecimentos no sistema bancário. O caso do Banco Master ganhou grande repercussão depois da liquidação da instituição e das investigações envolvendo suas operações. Outros episódios também passaram a chamar atenção, como as apurações envolvendo o BRB e a denominada Operação Juros Zero, que investiga supostas irregularidades relacionadas a descontos em folha de servidores públicos do Distrito Federal.

Segundo as investigações divulgadas, operações apresentadas como “juros zero” teriam incluído cobranças classificadas como taxas. PicPay, BRB, órgãos públicos e entidades relacionadas aos servidores aparecem entre os investigados. É fundamental destacar que investigação não significa condenação e que todos os envolvidos possuem direito à ampla defesa e ao devido processo legal.

O problema é que esses fatos surgem em um cenário econômico já fragilizado. Quando famílias estão endividadas, empresas encontram dificuldades para financiar suas atividades e instituições financeiras passam a enfrentar investigações ou problemas de liquidez e credibilidade, o risco de contaminação da confiança aumenta.

É justamente por isso que nossas autoridades precisam agir preventivamente. Governo, Congresso Nacional, Judiciário, Banco Central, Febraban, bancos, empresários e investidores devem assumir suas respectivas responsabilidades. O objetivo deve ser preservar a segurança jurídica, a estabilidade financeira e a confiança necessária para que investimentos continuem acontecendo.

A aproximação das eleições também tende a aumentar o ambiente de denúncias, disputas políticas e acusações. É necessário impedir que interesses eleitorais transformem problemas econômicos sérios em instrumentos de propaganda.

Também circulam informações e especulações sobre eventual participação dos Estados Unidos em ações contra facções criminosas e o narcotráfico no Brasil. Qualquer cooperação internacional dessa natureza precisa acontecer dentro da legalidade, por meio de entendimentos oficiais entre os governos e com absoluto respeito à soberania brasileira.

A economia não admite irresponsabilidade. Credibilidade é um patrimônio construído lentamente e perdido rapidamente.

Antes que uma crise anunciada produza prejuízos ainda maiores, é necessário reunir autoridades, instituições financeiras, investidores e representantes do setor produtivo para encontrar soluções.

Prevenir agora será sempre menos doloroso e menos caro do que tentar reconstruir a economia depois que a confiança desaparecer.

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)

Sair da versão mobile