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A crise também é nossa!

O leitor Samuel, através do e-mail criticou, o que ele faz todos os dias, meu texto que acusa a sociedade e nossa cultura como parte da experiência trágica de corrupção que temos hoje no Brasil. Para justificar a sua posição, ele usa o argumento, segundo o qual para defender os ladrões petistas, que eu estou acusando a sociedade brasileira de ser corrupta, e que não, “os brasileiros não são corruptos. Estão é cansados de ver uma quadrilha administrando o país”. Pode ser.

O professor filósofo Mário Sérgio Cortella vai direto ao ponto: “Criticar o político e não atentar para as próprias atitudes é um equívoco. Não pedir a nota fiscal porque não quer perder tempo e, dessa forma, retirar recursos da saúde e da educação; só respeitar os limites de velocidade no trânsito quando há radar próximo; não registrar a empregada doméstica, o que é uma exigência da lei; todas essas situações a pessoa acha que não é corrupção, que essa prática deletéria seria uma exclusividade do campo político. Cuidado. Vale lembrar que que não existe corrupto sem corruptor. Não teremos corrupção em 20 anos se começarmos agora a não ter corrupção em nossa vida, no nosso cotidiano, e também dentro da nossa casa. Vale ressaltar que a ética é, acima de tudo, dar exemplo. Ela funciona para a passagem de valores por dois mecanismos básicos: convencimento e coação. Hoje, duvido que a maioria que entra no carro e coloca o cinto se lembre da multa. Já foi pressão, virou convencimento. Há 30 anos, em qualquer auditório, sala de aula, espaço fechado, havia uma placa: “Favor não fumar”. Há 15 anos “Proibido fumar”. Hoje não há placa e não precisa. Esse comportamento está introjetado pela pressão e pelo convencimento.”

“A corrupção tem dois significados: algo que se quebra e se degrada. Ela quebra o princípio da confiança, que permite a cada um de nós nos associar para podermos viver em sociedade. Também degrada o que é público”, explica a historiadora Heloísa Starling, coautora do livro Corrupção — ensaios e críticas. “Quando você para em fila dupla, está degradando o sentido do público. Esses desvios de conduta são uma reiteração desse fenômeno complexo da corrupção”, completa.

“São pequenas corrupções em que o privado se sobrepõe ao público. A corrupção não se dá só na relação com o Estado, mas também com a sociedade”, acrescenta o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP) Renato Janine Ribeiro. O filósofo, entretanto, faz uma ressalva: “A pequena corrupção não é a causa da grande corrupção. Não é porque a pessoa não aprendeu a ser honesta que ela rouba a Petrobras. É porque é bandida mesmo”.

Ah, não posso deixar de defender o governo da Dilma, já que sou sua eleitora e exijo que ela vá até o fim de seu mandato garantido por 45 milhões e 400 mil votos. Com uma comparação rápida e indesmentível: FHC (1995/2002): 48 operações da Polícia Federal: 536 corruptos presos, pouca mídia e baixa sensação entre a população. Governo Lula/Dilma (2003/2014) 2.226 operações Polícia Federal: 24.881 corruptos presos sensacionalismo alta percepção na população. Quem mais combateu acabou com pecha de corrupto!

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