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A defesa de Antonio Palocci fez uma série de reuniões com procuradores da Operação Lava-Jato, mas não entregou o que a força-tarefa queria

Antônio Palocci foi ministro dos governos Lula e Dilma (Foto: Arquivo/Elza Fiuza/Agência Brasil)

Entre o dia em que o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci afirmou ao juiz Sérgio Moro estar disposto a revelar “nomes e operações do interesse da Operação Lava-Jato” e a assinatura do acordo de colaboração com a PF (Polícia Federal) em Curitiba, no Paraná, durante essa semana, se passou um ano. A rotina desse período foi marcada por uma série de reuniões entre advogados do petista e procuradores da força-tarefa, responsáveis por 163 dos 164 acordos fechados em Curitiba em quatro anos de Lava-Jato (a delação de Nelma Kodama foi a única feita na Polícia Federal).

Após idas e vindas, as negociações travaram por parte do MPF (Ministério Público Federal). A primeira razão alegada foi a falta de elementos probatórios de parte do relato levado aos procuradores. Em entrevista ao jornal O Globo há cerca de seis meses, o procurador Carlos Fernando de Souza Lima classificou as informações como “fofoca de Brasília” e afirmou que “ouvir dizer não adianta”. Em dezembro do ano passado, a revista Veja informou boa parte das revelações incluídas agora por Palocci no acordo com a Polícia Federal. Na ocasião, as confissões e informações apresentadas não foram suficientes para convencer os procuradores do MPF.

Momento não ajudou

O momento em que a colaboração era tentada — depois das delações de Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, João e Mônica Santana — também desfavoreceu o ex-ministro. Havia ainda o trauma derivado das reviravoltas em torno da delação do Grupo J&F.

Até há pouco tempo, a definição de Carlos Fernando para não aceitar a colaboração de Antonio Palocci era precisa. “Se tivesse sido no começo [da Lava-Jato], quando você não tinha nada, pouco sempre parece bastante. Quando você está na situação atual, mesmo que não seja pouco, não é suficiente.”

Havia ainda outra pedra no caminho, mais especificamente a aprovação da Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação original de Palocci previa a menção a nomes de políticos com foro privilegiado. Não houve avanço. Desde que chegou ao cargo, Raquel Dodge demonstrou uma mudança de rota na estratégia do antecessor, Rodrigo Janot, que, durante sua gestão, acelerou como pôde os acordos.

Disposta a destravar as negociações, a defesa do ex-ministro deu uma nova tacada. No fim de setembro, o petista divulgou carta na qual rompia com o PT e sugeria que o partido reconhecesse seus erros, buscando um acordo de leniência com a Lava-Jato. No texto, Palocci relatou “o choque de ter visto Lula sucumbir ao pior da política no melhor momento dos seus governos”.

Para Palocci, o ex-presidente Lula navegou no “terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do poder sem limites, onde a corrupção e desvios (…) são apenas notas de rodapé no cenário entorpecido dos petrodólares que pagarão a tudo e a todos”.

 

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