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A defesa de Lula usou e-mails do empreiteiro Marcelo Odebrecht e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para contestar o processo sobre a compra de um terreno para o Instituto Lula

Na avaliação dos advogados do petista, as mensagens lançam dúvidas sobre depoimentos do empresário. (Foto: Agência Brasil)

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao juiz Sérgio Moro que anexe nove e-mails do empresário Marcelo Odebrecht ao processo que trata da compra de um terreno destinado ao Instituto Lula.

Na avaliação dos advogados, as mensagens lançam dúvidas sobre depoimentos do empresário e podem ajudar a rebater uma das principais teses do Ministério Público, que trata como ilegais as doações feitas ao Instituto Lula por empreiteiras investigadas pela Lava-Jato.

Cinco e-mails encontrados pela defesa do líder petista tratam de contribuições para o instituto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, hoje uma fundação. Há duas mensagens do próprio FHC pedindo doações a Marcelo em 2010.

Para os advogados, os e-mails mostram que contribuições para entidades como as criadas pelos dois ex-presidentes são legítimas e não deveriam ser vistas como criminosas, como os procuradores sustentam no caso do petista.

Outras quatro mensagens parecem contrariar depoimentos em que Marcelo apontou Branislav Kontic, braço direito do ex-ministro Antonio Palocci, como a pessoa identificada como B nas planilhas da Odebrecht e associada a pagamentos que teriam sido feitos a Lula.

A defesa de Lula achou os e-mails no acervo com milhares de mensagens recuperadas por Marcelo depois que o empreiteiro saiu da prisão, em dezembro. Moro deu aos advogados do petista 15 dias para examinar o material.

Dilma

Em campanha internacional pela libertação do ex-presidente Lula, a sua sucessora, Dilma Rousseff, garantiu que ele vencerá a eleição de outubro deste ano para o Palácio do Planalto mesmo que continue na cadeia.

“Livre ou preso, ele será eleito presidente do Brasil”, assegurou a petista ao público que prestigiava um dos eventos da 44ª Feira do Livro de Buenos Aires (Argentina), onde ela participou do lançamento do libelo “Lula, a Verdade Vencerá”, obra que tem como subtítulo “O Povo Sabe Por Que Me Condenam”.

Preso desde o dia 7 do mês passado em uma cela especial da Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR), o ex-presidente cumpre sentença de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP). Mesmo assim, segue como pré-candidato do PT ao pleito deste ano e lidera as pesquisas de intenções de voto em cenários nos quais o seu nome aparece como postulante ao cargo.

Por meio de uma carta enviada recentemente por seus advogados à cúpula do PT, Lula deu o seu aval para que o partido considere outras opções à Presidência da República. A direção da sigla segue reiterando, entretanto, que não adotará um “plano B”.

Ao criticar a decisão de uma juíza de Curitiba que impediu a visita do argentino Adolfo Pérez Esquivel, premiado com o Nobel da Paz em 1980, a Lula, Dilma também afirmou que teme pela vida de seu correligionário preso pela Operação Lava-Jato. Esquivel estava presente no evento em Buenos Aires junto com a presidente do movimento Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, além de outros líderes políticos e sindicais argentinos.

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