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A diretoria do Flamengo será intimada a depor na investigação sobre o incêndio

Executivo do clube garantiu que o centro de treinamento não era um "puxadinho". (Foto: Reprodução)

A direção do Flamengo será intimada a prestar depoimento na 42ª Delegacia de Polícia, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo a equipe que conduz as investigações sobre o incêndio que na madrugada de sexta-feira matou dez adolescentes das categorias de base do clube, a previsão é de que sejam realizadas oitivas ainda nesta semana.

O presidente do clube, Rodolfo Landim, reuniu-se com diretores do Rubronegro na sede da Gávea na manhã desse sábado. Com eles, também estava o secretário nacional de Esportes, Marco Aurélio Vieira. Além disso, uma “sala de crise” foi montada para tratar sobre o auxílio às vítimas do incêndio e seus familiares, bem como levantar a documentação sobre a situação do alvará do clube.

Representantes do Flamengo têm dito à imprensa, porém, que a questão não é prioridade agora e, sim, o apoio às vítimas. Por meio de notas oficiais, a prefeitura do Rio de Janeiro informou que o alojamento temporário feito com contêineres, onde estavam as vítimas, não tinha autorização para funcionar no Centro de Treinamento, em Vargem Grande. O Corpo de Bombeiros também declarou que o Ninho do Urubu não tinha Certificado de Aprovação e combate a incêndio.

Executivo

No fim da tarde dessa sábado, o executivo do Flamengo Reinaldo Belotti fez um pronunciamento sobre a tragédia. Segundo ele, a ausência de licenças e alvarás divulgada pela imprensa não tem relação com o acidente e o local era “adequado e confortável, não um puxadinho, conforme se chegou a noticiar”.

“Temos providências a tomar para o centro de treinamento ser legalizado”, garantiu. “Estamos trabalhando para isso. Precisávamos de nove certificados, já temos oito. Estamos trabalhando com os bombeiros. Esse módulo era conhecido por todos. Não era um puxadinho que a gente escondia. Era confortável e adequado. Tínhamos orgulho.”

O dirigente também disse que picos de energia ocorridos após o temporal que desabou no Rio de Janeiro, na noite de quinta-feira, podem ter gerado um curto-circuito no ar-condicionado, possível causa apontada por peritos para incêndio. Afirmou também que o aparelho de climatização havia sido inspecionado.

“A suposição existente hoje é que esses picos de energia tenham afetado o funcionamento regular do ar-condicionado e ocasionado o princípio de incêndio”, disse Belotti, que não respondeu a perguntas de jornalistas.
A Light, concessionária de energia do Rio, informou que, às 9h35min da manhã de quinta-feira, véspera do incêndio, o fornecimento de energia no CT foi normalizado e que depois disso não houve registro de oscilação de energia, segundo a Light.

Segundo a Prefeitura do Rio e o Corpo de Bombeiros, o centro de treinamentos não tinha licença para construir alojamentos naquele local no Ninho do Urubu. Belotti argumentou que a documentação está em andamento, e que o clube obteve outras três certidões: do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Pedido de CPI

O vereador Luiz Carlos Ramos Filho, do Podemos, vai sugerir que a Câmara Municipal do Rio de Janeiro crie uma comissão parlamentar especial para acompanhar as investigações sobre o incêndio no Ninho do Urubu.

“O objetivo é acompanhar o inquérito policial e a apuração da prefeirura, que já constatou que não havia alvará para o alojamento dos meninos. Só assim poderemos cobrar as responsabilidades nestas mortes”, ressaltou Ramos Filho por meio de uma nota divulgada pela sua assessoria.

O parlamentar, mais conhecido por sua agenda em defesa do direito dos animais, também comentou o incêndio nas redes sociais: “Toda a minha solidariedade às famílias das vítimas do Ninho do Urubu”, escreveu em trecho de sua publicação.

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