As medidas tomadas pelos bancos para diminuir as dívidas dos clientes no cheque especial começaram a surtir efeito. Em setembro, os débitos dos brasileiros caíram 2,9% e chegaram a R$ 22,7 bilhões na modalidade. A expectativa do Banco Central é que as taxas cobradas pelas instituições comecem a cair daqui para frente.
Em julho, entrou em vigor a nova regulação feita pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para criar uma porta de saída para quem está enrolado no cheque especial. A ideia é estimular o cliente a contratar um crédito pessoal e sair do vermelho. Essa linha também não é barata. Custa, em média, 122,2% ao ano. Mesmo assim, é muito menor que o custo do cheque especial, que é de 301,4% ao ano: os juros mais salgados do mercado.
Apesar de serem as maiores taxas, esse número já foi bem pior. Chegou a 330,6% ao ano. Apenas nos últimos 12 meses, esses juros caíram 19,9 pontos percentuais.
“A pequena redução dos saldos do cheque especial talvez reflita as medidas tomadas”, disse o chefe-adjunto do departamento econômico do BC, Renato Baldini, que completou:
“Pode ser que observemos mais queda nos próximos meses e também a diminuição da taxa de juros, mas isso ainda não está sendo observado ainda.”
O processo contribui para a queda da inadimplência, já que a dívida no cheque especial se torna impagável em pouco tempo. No mês passado, o nível do calote das famílias caiu ao menor nível da história no chamado crédito livre, ou seja, com exceção do financiamento da casa própria. Passou de 5% para 4,9%.
Segundo o BC, os bancos passaram a cobrar mais de pessoas físicas no mês passado. Em média, os clientes pagam 52,2% ao ano em todos os empréstimos (menos o imobiliário): 0,4 ponto percentual a mais do que em agosto. No entanto, as instituições não aumentaram os ganhos. Tiveram, sim, uma alta do custo de captação do dinheiro.
Dívida Pública Federal
A Dívida Pública Federal (DPF), que inclui o endividamento interno e externo do Brasil, teve queda de 0,16% e passou de R$ 3,785 trilhões em agosto para R$ 3,779 trilhões em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (26), em Brasília, pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda.
A redução da dívida ocorreu por conta do resgate líquido de títulos, que somou R$ 26,73 bilhões, descontado parcialmente pela apropriação positiva de juros, no valor de R$ 20,55 bilhões.
Segundo a Receita, a apropriação de juros representa o reconhecimento gradual das taxas que corrigem os juros da dívida pública. As taxas são incorporadas mês a mês ao estoque da dívida, conforme o indexador de cada papel.
Por meio da dívida pública, o governo pega recursos emprestados dos investidores para honrar compromissos. Em troca, ele se compromete a devolver o dinheiro com alguma correção, que pode ser definida com antecedência, no caso dos títulos prefixados, ou seguir a variação da taxa Selic, da inflação ou do câmbio.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) – em circulação no mercado nacional, que é a parte da dívida pública que pode ser paga em reais – teve o estoque reduzido em 0,07% em setembro, ao passar de R$ 3,630 trilhões para R$ 3,628 trilhões, devido ao resgate líquido de R$ 26,77 bilhões, compensado, em parte, pela apropriação positiva de juros, no valor de R$ 24,22 bilhões.
