Em operação desde 1984, a usina hidrelétrica de Itaipu atingiu nesta sexta-feira (14) a marca histórica de 2,7 bilhões de megawatts-hora (MWh) de energia acumulada gerada. A quantidade gerada por suas turbinas é tão grande que, para dar uma ideia de sua dimensão, a empresa binacional apresentou um levantamento mostrando o que poderia ser feito com ela.
Segundo a Itaipu Binacional, que é responsável por atender quase 15% do mercado de energia elétrica brasileiro e 93% do Paraguai, a energia gerada ao longo desses 35 anos seria capaz de abastecer todo o planeta por 43 dias – algo que nenhuma outra usina do planeta já foi capaz de fazer, segundo a empresa.
Com a quantidade de energia já gerada, Itaipu seria capaz de suprir a demanda energética brasileira por cinco anos e nove meses; e a demanda paraguaia por 190 anos. O estado de São Paulo seria abastecido 20 anos, enquanto a cidade de São Paulo seria abastecida por 99 anos. O Paraná teria seu abastecimento garantido por 86 anos; e a cidade do Rio de Janeiro, por 155 anos.
A expectativa é de que, em 2023, ano em que completará 50 anos, a usina chegue aos 3 bilhões de MWh gerados. Tendo por base a média de produção dos últimos seis anos, a usina de Three Gorges (Três Gargantas, localizada na China, considerada a maior hidrelétrica do mundo em termos de potência instalada) só alcançaria Itaipu no ano de 2347.
Petróleo
Segundo as comparações divulgadas pela Itaipu Binacional, se tomarmos como referência as reservas totais de petróleo do Brasil, da ordem de 12,7 bilhões de barris, “seria necessário consumir 44% desse petróleo para produzir os 2,7 bilhões de MWh de energia”
Na nota divulgada para comemorar o feito, a geradora lembra que a energia produzida por sua hidrelétrica “é limpa e renovável”, uma vez que “não emite poluentes”.
“Se a energia gerada pela Itaipu fosse proveniente de outras fontes, a emissão de gás carbônico equivalente seria, em termos de usinas de gás, de 1,09 bilhão de toneladas; e, nas usinas a óleo, 1,90 bilhão de toneladas. Nas usinas a carvão, a emissão de gás carbônico seria ainda maior: 2,57 bilhões de toneladas”.
Usina binacional
O Brasil estuda construir uma usina hidrelétrica binacional com a Bolívia. O projeto seria no Rio Madeira, acima do município de Guajará-Mirim (RO), contando com experiência e investimentos de Itaipu. A possibilidade foi comentada nesta sexta-feira (14) pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna, durante solenidade de comemoração da geração recorde de 2,7 bilhões de megaWatts/hora (MW/h) produzidos desde o início de sua operação, em 1984.
“Ela [a nova usina] vai ser necessária. Itaipu pode servir de referência, inclusive de relações [internacionais], que é uma construção de longo prazo. Itaipu pode ajudar muito se for tomada essa decisão. A previsão é que sejam duas hidrelétricas, de 5 mil MW a 6 mil MW [no total]. O Brasil precisa de energia segura. A engenharia diplomática para fazer uma construção dessas não é pequena. É tão complexa quanto é a engenharia para fazer a obra”, disse Silva e Luna.
Em termos de comparação, Itaipu tem potência de 14 mil MW. Segundo o general, Itaipu poderia ser o agente brasileiro na futura usina binacional com a Bolívia. “Se houver isso aí, Itaipu tem muito a contribuir. Na hora em que for decidido, estamos prontos. A programação financeira seria a parte menos complexa a se fazer. Havendo essa demanda, Itaipu está em condições de se debruçar sobre essa hipótese. A interconexão energética do continente é irreversível. É questão de tempo”, disse Silva e Luna.
Dentro de três anos, Itaipu terá quitada a dívida para a construção da usina, o que vai liberar cerca de US$ 2 bilhões por ano, metade para o Paraguai e metade para o Brasil, que passará a contar com US$ 1 bilhão para investimentos, cerca de R$ 4,3 bilhões. O dinheiro, segundo o general, poderia ser aplicado na construção da usina binacional, se for o caso, ou em melhorias na usina de Itaipu.
Custo
O diretor-técnico executivo de Itaipu, Celso Villar Torino, estimou em cerca de US$ 5 bilhões o valor de construção da usina binacional com a Bolívia, tomando-se em conta o valor das grandes usinas recentes.
“Teria que fazer uma análise detalhada do local, mas as grandes usinas, como referência, custaram cerca de US$ 5 bilhões. O Brasil tem mercado crescente [de energia]. Uma hidrelétrica de 5 mil MW a 6 mil MW, não há dúvida, que o país tem mercado para absorver”, disse Torino. Segundo ele, a conexão da futura usina poderia ser feita utilizando a linha das usinas de Jirau e Santo Antônio, ou construindo outras linhas de transmissão.
